Sociedade

Uma de muitas receitas para não entender nada

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Muitas vezes já me perguntei como é possível que tantas pessoas não consigam entender nada, não consigam fazer os links mais óbvios entre certas causas e suas consequências e acreditar em barbaridades ao estilo 2≠2.

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Em minha aconchegante cadeira giratória da sala, enquanto utilizo o computador, acabo por muitas vezes escutar alguns programas da GloboNews (como o J10 e outros) e outros noticiários que são populares entre as “pessoas comuns”, como CBN, Jornal da Record e JN. Analisando a linguagem utilizada e os “fatos” trazidos por esses noticiários, cheguei a uma maneira certeira de não entender nada sobre política internacional, economia, política brasileira, imigração, islã, religião, cultura, arte, etc. A receita secreta chama-se, em especial (e por amostragem), GloboNews.

O jornalismo propriamente dito é algo que simplesmente não existe naquele canal. Para averiguar isso, basta analisar as reportagens sobre incidentes com armas de fogo nos EUA, atentados terroristas, ações de Barack Hussein Obama, conflitos no Oriente Médio, qualquer coisa relacionada ao islã, as manifestações dos terroristas do MPL, do MST, MTST, Juntos et caterva, “especialistas” em saúde coletiva falando sobre aborto, qualquer coisa sobre meio ambiente, da parada gay, e a coisa não tem mais fim. Basicamente TUDO que é dito no canal já está previamente mastigado para que você pense como um cidadão fanaticamente adepto da agenda da ala esquerda do Partido Democrata (no Brasil representado pelo senhor Fernando Henrique Cardoso). Não há nenhum compromisso com a veracidade, com os fatos, com a história, e nem com nada que se assemelhe à honestidade da profissão jornalística, historiográfica ou do observador científico.

Veja também:  Thomas Sowell, as cotas, as intenções e os resultados

Os programas do canal são produzidos de tal forma que tudo parece “jornalismo sério, imparcial e que dá voz a todos os lados” para o comum, fazendo com que ele dê enorme crédito para o que dito por lá. Tal fato faz com que ele interiorize tal agenda, que será parcialmente listada abaixo:

  • Israel é o vilão no oriente médio, com suas “reações desproporcionais” contra os coitadinhos islâmicos (pricipalmente os palestinos) que não tem meios de se defender. Israel também mata deliberadamente crianças e mulheres, enquanto os islâmicos são pacíficos.
  • As reações contra o Ocidente por parte do Oriente e principalmente do Oriente Médio são na verdade uma defesa contra o “imperalismo” e o “colonialismo” feito por aquele contra este em tempos passados. Uma espécie de “dívida histórica” que está sendo paga agora via usufruto de bens dos países ocidentais via imigração maciça.*
  • As reuniões dos países nas cúpulas da ONU “em prol do meio ambiente e contra o aquecimento global” são essenciais para a preservação da existência da vida no planeta, que está sob sérios riscos de ser extinta em algumas décadas (essa mesma “profecia” é repetida há décadas sob as mais diversas justificativas) caso não tomemos medidas drásticas para reduzir as “emissões de carbono” e de “gases poluentes”, como o CO².**
  • A política econômica do governo (desde o ano passado apenas, como se ela tivesse mudado de pelo menos 8 anos pra cá) é de certa forma “equivocada”, mas nada disso tem a ver com o fato do PT ser um partido socialista, comprometido com o regime de Havana e com o Venezuelano, de Dilma e sua equipe econômica serem um reflexo perfeito da “turma da UNICAMP”¹ e também toda a situação econômica brasileira não tem nenhuma relação com o enorme intervencionismo do governo na economia, e sim com a “má gestão dos impostos, que não são gastos como se deve”(ou seja, o problema não é o planejamento centralizado da sociedade,e sim os planejadores atuais***).
  • O desarmamento fez muito bem ao Brasil e o presidente Obama está tentando deixar um importante legado desarmamentista nos EUA, para assim combater os assassinatos em cinemas, shoppings, salas de aula,etc.
  • A polícia é uma instituição fascista e opressora, uma relíquia da ditadura militar, que reprime “manifestações que começam pacíficas, mas que desbancam para a violência por conta de uma minoria de vândalos infiltrados”².
  • O deputado Jair Bolsonaro (e também o Marco Feliciano) é um fascista homofóbico machista reacionário fascista(eu já falei fascista?) enquanto o deputado Jean Wyllys é um democrata que busca “direitos iguais para os homossexuais e para as mulheres”, um feroz combatente da “sociedade machista e homofóbica”.³
  • A política externa brasileira não tem nada a ver com o comunismo internacional, e esse tal de Foro de São Paulo nem sequer existe (e, quando existe, é desprovido de relevância política na região da América Latina). Só que os motivos para que o governo brasileiro e o partido que hoje está no poder apoie integralmente o regime Cubano, o Venezuelano, o Hamas, as FARC, o governo da Bolívia e do Equador, o antigo regime dos Kirchner, a ditadura comunista de Angola e mais uma penca de outros governos e movimentos não têm nenhuma relação nem com a esquerda, nem com o comunismo e nem com o socialismo, até porque esses 2 morreram quando caiu o muro de Berlim. Na verdade, o governo petista e o PT se corromperam com o tempo pois cederam às pressões da “direita conservadora”(identificada com o ex-presidente José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, meia dúzia de empresários corporativistas que mamam nas tetas do BNDES e mais alguns outros indivíduos e grupos).
Veja também:  O desespero de Laura Capriglione. Ou: dá as cartas quem está no jogo

É claro que há muitos outros assuntos (como a campanha descarada de difamação contra a Igreja Católica e o cristianismo em geral), mas creio serem esses alguns dos mais evidentes e importantes. Caso você use o canal como fonte principal de informação e tenha os seus “analistas, cientistas e especialistas” como ponto de referência, há uma enorme probabilidade de você apoiar parte considerável da agenda citada.

Por exemplo: Vejam este vídeo de um GloboNews dossiê(com o célebre esquerdista Geneton Moraes Neto) e acompanhem a linguagem, as perguntas, os slogans e cacoetes utilizados pelo jornalista na entrevista. Apenas uma pequena amostra do caráter eminentemente vigarista da classe jornalística brasileira.

Uma das várias receitas para não entender nada é levar o jornalismo que dizem ser “sério e honesto” no Brasil a sério e como se fosse coisa de gente honesta.

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Referências:

*: Ler os artigos “O islã é a religião da paz?”, “Terrorismo islâmico: perguntas sem resposta”“Liberté, égalité, fraternité, Allahu Akbar!” para saber mais.

**: Sobre ecologismo, ver os livros “O império ecológico”, de Pascal Bernardin  e “Os melancias”, de James Dellingpole .

Veja também:  O "neoliberalismo de Estado" é a nova tese de manicômio da Carta Capital

***: Ver o artigo “A crise se chama Estado de Bem-Estar Social”.

¹: Ver isso,  isso e  isso para maiores informações sobre a “turma da UNICAMP”.

²: Ler estes 2 artigos( 1 e 2) e o livro “Por trás da máscara”, de Flávio Morgenstern.

³: Ver este vídeo.

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(Fonte da imagem: Best Movies By Farr)

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