Comportamento

Não interessa se o assassino de Campinas é de “esquerda” ou de “direita”. Ele é um sociopata. Fim.

O foco na suposta ideologia do assassino de Campinas desvia a atenção daquilo que realmente importa: nenhum lado é isento de sociopatas.

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Todo o Brasil, durante a virada do ano, ficou chocado com o caso da chacina ocorrida em Campinas, em que um homem, de maneira covarde, matou sua ex-mulher, filho e mais dez familiares, cometendo suicídio em seguida. Um ato que, por si mesmo, é impossível de compreensão por qualquer ser humano com a consciência minimamente sã. E cada desdobramento do ocorrido torna a situação cada vez menos compreensível.

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No entanto, tendo em vista a alta temperatura que atingiu as discussões políticas do ano que passou, a divulgação do conteúdo da carta do assassino não teria resultado diferente. Por um lado, uma parte da esquerda tratando a carnificina como o resultado de um “discurso de ódio” (uma expressão que ganha um significado cada vez mais camaleônico) da direita e culpando as figuras de sempre: o Bolsonaro, a imprensa, a Lava Jato, entre outros. Por outro lado, um setor da direita tenta dar o carimbo de “mártir” ao carniceiro, tendo em vista alguns questionamentos pertinentes a respeito das problemáticas – desde sempre – leis, política e justiça em nosso país.

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Honestamente, tentar adivinhar a ideologia do assassino, neste caso – isso se ele possui alguma que possa ser claramente definida -, não interessa. O que podemos ter certeza é que estamos diante de um sociopata. Alguém que foi incapaz de medir e, sobretudo, de assumir as consequências de seus atos. E que foi incapaz, até mesmo, de proteger o filho que supostamente diz “amar”. Ponto.

O fato de existir na carta dele coisas que muitos brasileiros concordariam, per se, não implica que todos que subscrevem tais dizeres irão fazê-los assassinos em potencial. Portanto, caro esquerdista que eventualmente leia este artigo, a não ser que você queira viver em uma paranoia em que até pelo menos metade dos brasileiros estaria prestes a matá-lo, tal atitude não é representativa da “direita” (leia-se: qualquer um que não defenda o que você defende). A propósito, já que a esquerda fala tanto em “discurso de ódio”, já tivemos exemplos na história em que grupos eram atacados devido a ações inconsequentes de um ou outro indivíduo que faz parte do mesmo, sendo um exemplo bem extremo a Kristallnacht de 1938, em que judeus foram mortos ou mandados a campos de concentração após a morte de um embaixador da Alemanha nazista assassinado por um judeu polonês. Olhe-se no espelho e pense duas vezes se não está fazendo aquilo que você mesmo condenaria.

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Por outro lado, e neste caso falo a meus colegas direitistas (afinal, me identifico, inclusive em minha descrição, como alguém à direita do espectro político): não, por mais “verdades” que possam ter nos dizeres do assassino, ele não merece, de nenhuma forma, ser tratado como um mártir. O uso da violência como método (algo que condeno e que muitos de nós, inclusive, condenamos em boa parte dos protestos de grupos de esquerda, que recorrentemente terminam em terrorismo), ainda mais em se tratando da forma covarde como a daquele monstro, não deve ser sequer compreendido. Além disso, não estamos isentos de ter pessoas em nosso meio que, de uma forma ou outra, demonstrem características inaceitáveis de comportamento, independente de sua visão política.

Fato é que – ainda – não há ideologias que superem a monstruosa engenhosidade humana para fazer o mal.

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