Educação

Iniciativas educacionais: um paradoxo público vs. privado

São comparadas duas iniciativas educacionais - uma pública e outra privada - e são apresentados seus respectivos resultados. Tirem suas conclusões.

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Nunca se ouviu falar tanto em educação como em nossos dias atuais. Um dos motivos para o surto dessa informação cabe ao aumento da violência urbana. Muitos afirmam que a porta de entrada para a criminalidade deve-se ao então número de cidadãos que tão pouco conseguem concluir o ensino fundamental. Mas não é somente um diploma secundarista que deve estar em mente nas escolas, mas, sim, um plano de carreira onde os alunos se sintam motivados a estudar e pensar em um futuro, graças à educação recebida.

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No ano de 2016, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória do Ensino Médio que atualmente tramita no Senado. A MP 746 prevê que os alunos escolham a área que desejam estudar e possam optar por ter ou não o ensino técnico integrado ao ensino médio, como já acontece nos Institutos Federais.

Desde a transição do novo modelo do ensino médio pela Câmara dos Deputados, o projeto dividiu opiniões e foi até um dos argumentos utilizados durante as ocupações às escolas.

Por meio desses projetos, sabe-se que de diversas formas o governo tenta preencher as lacunas vagas relacionadas aos problemas com a educação, entretanto o nível de evasão escolar e de alunos não que chegam até o ensino superior ainda é exorbitante. O país tem o 3º maior índice de evasão escolar entre os 100 países com maior IDH do mundo.

Sem sombra de dúvidas, concluir o ensino médio é um dos grandes desafios dos jovens brasileiros, visto que, de acordo com a ONG Todos pela Educação, apenas 54,3% dos jovens concluem o ensino médio até os 19 anos. Cabe salientar que, na pesquisa feita, o estado do Espírito Santo ocupou a terceira colocação nacional, ficando atrás apenas de São Paulo e do Distrito Federal.

Durante o ano de 2016 tive a oportunidade de conhecer melhor dois projetos que visam melhorar o nível da educação capixaba. Por meio desse conhecimento, trarei à tona um relato mediante a sua eficácia, tendo em vista os resultados que ambos estão trazendo aos contemplados.

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Público vs. privado

Em meados de 2015, o governo do estado do Espírito Santo divulgou a proposta de implantação do ensino médio integral nas escolas estaduais. Houve certa resistência de diversos alunos no início do pronunciamento, entretanto o projeto foi implantado não como os alunos previam. Contrariando a opinião, foi negociado um prédio que outrora funcionava uma faculdade particular. O grande diferencial do projeto que atualmente possui 11 unidades foi exatamente a proposta do governo do estado juntamente com o setor privado.

As escolas que fazem parte do projeto contam com turno integral, matérias optativas, ambiente harmônico e número menor de alunos – o que permite aos professores conseguirem fornecer uma assistência mais eficaz. Além disso, cada um é apadrinhado por um professor, o que faz com que a escola perca o aspecto de simplesmente fornecer a educação e sim ser um aliado do aluno.

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Outro aspecto positivo do projeto foi a sua logística, implantando as escolas em bairros com altos índices de criminalidade. Ou seja, a lição a partir disso é que não adianta você apenas citar o problema se não estiver disposto a atuar de maneira efetiva nele.

Em conversa com a diretoria de uma das unidades, a escola Joaquim Beato a qual visitei localizada no bairro Planalto Serrana no município da Serra, ela citou que no início da fundação as pessoas chegaram a achar que seria um presídio e foi difícil atrair alunos devido à guerra interna que dividia os moradores.

Porém, o mais interessante é a participação de diversos empresários envolvidos dentro do projeto. Os alunos recebem aulas como empreendedorismo, através do projeto de vida que os levam a pensar qual o futuro profissional desejam traçar.

Enquanto isso, outro projeto pouco conhecido no estado é o Instituto Ponte, que também tive o prazer de conhecer em 2016. Apesar de pouco explorado, o projeto segue sólido e alcançando ótimos resultados. A ideia se constitui em uma iniciativa privada apartidária.

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A iniciativa se consuma da seguinte forma: todo ano é aberto um processo seletivo que diversos alunos da rede pública de ensino realizam suas inscrições, a partir disso é realizada uma prova que visa identificar se o perfil do aluno se enquadra ao buscado. Logo após são realizadas dinâmicas de grupo e por fim uma entrevista com a família do candidato – afinal, não basta ter apenas o interesse do aluno, se não houver o apoio juntamente com a família.

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Logo após ser realizado todo esse processo, o aluno é encaminhado ao instituto, onde é acompanhado por certo tempo, no local os alunos recebem reforços escolares, além de aulas de inglês. Após um ano engajado ao projeto, o aluno é alocado a alguma escola parceira, a qual recebe uma bolsa integral e dos demais custos, como alimentação e transporte.

Cabe ainda ressaltar que o aluno é acompanhado até o fim do ensino superior, sendo assim, além do ambiente escolar o aluno recebe um reforço extra e total assistência, que resulta um bom desempenho dos alunos, demonstrando a eficácia da iniciativa.

Além disso, como uma forma de transparência dos investimentos do projeto, o site divulga sempre os relatórios de tudo que ocorreu em um período trimestral.

Conclusão

O projeto do governo do estado possui diversas situações para pontuar, dado exemplo: o valor do aluguel em uma das unidades da Escola Viva, pago mensalmente, é de R$ 62.400,00, pago com os impostos da população capixaba. Além disso, cabe pontuar que poderiam ser acrescentadas matérias optativas novas, como: estudo da Constituição Republicana de 1988, adoção do sistema de divisão por área de conhecimento pelo qual o aluno irá receber uma prévia do curso escolhido, como já é adotado em outros países.

Enquanto ao aprimoramento do projeto do Instituto Ponte, é necessário que haja mais empresários dispostos a manter financeiramente a organização, sendo assim o alcance de alunos vinculados ao projeto seria bem maior.

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Iniciativas como essa poderiam ser reproduzidas através de outras organizações que estivessem dispostas a atuar utilizando o mesmo método ou similar ao do Instituto.

Sabe-se que a rede privada de ensino do Espírito Santo no Enem de 2015 ficou 59 posições à frente das escolas públicas. O que demonstra um déficit ainda maior no método educacional estadual.

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Devido ao fato desse déficit, o método de ensino e as instituições precisam ser reestruturados. Uma boa ideia é a sugestão do economista da escola de Chicago, Milton Friedman que vem trazendo ótimos resultados nos países onde se efetiva como na Suíça e Estados Unidos, estou falando do famoso sistema de vouchers, os vales educacionais fundamentam-se como um vale que o governo através da arrecadação de impostos repassa aos pais para que eles possam matricular o filho em uma escola privada onde lhe for mais viável.

As críticas ao sistema são basicamente relacionadas à que: as escolas deixariam de investir em educação e estrutura, visando apenas os lucros, o que na prática nos países em que foi adotado o sistema, ocorreu o oposto, as escolas públicas melhoraram suas estruturas e ensino, porque quando confrontada ambas as iniciativas a tendência é o setor público melhorar o seu serviço. Hoje em dia, esse método é aplicado no Brasil através do Prouni, a qual o governo custeia 50% ou 100% da mensalidade do aluno variando de acordo com sua renda.

No mais, falar de educação não é receita de bolo onde juntamos os ingredientes e temos um prato perfeito. Educação é investimento e inovação, mas acima de tudo, liberdade para atuar nesse cenário onde só vemos discussões e poucas ações.

Graziele Ramalho é acadêmica de Direito pela Multivix

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(Fonte da imagem: Reprodução/YouTube)

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