Educação

Só 7,3% dos alunos terminam o Ensino Médio dominando a Matemática. E isso explica muita coisa.

O fato de apenas 7,3% dos estudantes que terminam o EM terem domínio adequado de Matemática explica certas parvoíces que vemos por aí.

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Uma notícia, publicada no Estadão, me chamou a atenção quanto ao recorrente – e sofrível – estado da educação brasileira: apenas 7,3% dos estudantes que concluem o Ensino Médio tiveram aprendizado adequado em Matemática. O indicador, de 2015, sofreu uma piora em relação a 2013, quando 9,3% terminaram a última etapa do ciclo básico com o domínio adequado da disciplina.

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Também é citado na matéria que o objetivo intermediário de que 40,6% dos estudantes dominem adequadamente a Matemática, e 49%, o Português, não foi, evidentemente, atingido. E que em 2022 o objetivo era universalizar esse domínio. Pelo visto terão muito trabalho pela frente.

Mas afinal, o que esse indicador tão pífio tem a nos explicar? Muita coisa.

Primeiramente, um bom domínio de Matemática não consiste somente na habilidade de “fazer contas”, muito embora isso seja muito importante. Também consiste em ter um raciocínio lógico acurado, que lhe permita ligar facilmente o lé com o cré, lidar melhor com os fatos e interpretá-los adequadamente (recomendo que leiam o artigo de Cedê Silva no Implicante). Se o domínio de algo tão importante é baixíssimo em nível nacional, não é de se esperar que tal raciocínio seja melhor.

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E, sem esse raciocínio, muitas pessoas acabam ficando a mercê de discursos ideológicos que, bastando um mínimo desse raciocínio, seriam facilmente desmontados. Discursos esses que, lamentavelmente, grassam pelo meio acadêmico e pela imprensa.

Um exemplo, partindo do meio acadêmico, tem que ver com o (não) debate sobre a PEC 241 (mais tarde PEC 55). A proposta era simples: limitar o crescimento das despesas primárias ao índice de inflação. Isso estava claramente descrito no texto da proposta. No entanto, o que foi ventilado e passou a se atacar foi um espantalho da proposta, em que ela cortaria ou congelaria gastos da saúde e educação. Informações essa que são total e rotundamente falsas, uma vez que, desde que o limite global seja respeitado, os limites por área estariam livres, bastando que, caso necessário, se corte gastos de outras áreas.

Tendo em vista o baixíssimo domínio de Matemática citado e o fato de que, nas universidades – nossa “elite” intelectual, portanto -, um em cada dois alunos é analfabeto funcional, esperar um debate razoável sobre o assunto requer a mesma crença necessária na verdade da história da grávida de Taubaté. E nossa imprensa não costuma ajudar a respeito, isso quando não atrapalha. Os meus artigos a respeito (aquiaqui) não me deixam mentir.

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E por falar da imprensa, tivemos uma pá de exemplos em que, se o domínio em Matemática fosse maior, esta seria ainda menos credível em relação ao que já é nos últimos meses. Muitas das “análises” dos “especialistas” que dão pitaco nos jornais e na TV falharam miseravelmente. Seja quanto ao impeachment, ao Brexit, às eleições municipais ou à vitória de Donald Trump. Mas claro, eles continuam a dar seus palpites. E por que passaríamos a acreditar neles agora?

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Mais do que uma ciência exata, a Matemática é um modo de pensar. E quanto esse modo de pensar faz falta.

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(Fonte da imagem: Reprodução/YouTube)

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