Feminismo

Audrey Hepburn e o feminismo: quando a atriz não segue a personagem

Uma das armas do feminismo é reproduzir sua percepção ideológica por meio da cultura, aspirando a modificação da sociedade.

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A revolução sexual, advinda pelo surgimento da pílula anticoncepcional e dos movimentos de libertação feminina, trouxe a sensação de que a libertinagem traria abertura política e igualitária. Logo, a sexualidade tornou-se o aspecto mais significativo da existência humana. Desvinculando-se da moral, o sexo não deveria ser apenas desprendido de culpa, mas também livre de consequências — como gravidez, casamento, vinculo afetivo, fidelidade conjugal. Barreiras como idade e espécie também deveriam ser rompidas em nome do prazer. Os percussores da Revolução Sexual incluem nomes como do pornógrafo Hugh Hefner, fundador da revista Playboy, e feministas como Betty Friedan e Simone de Beauvoir.

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Uma das armas do feminismo é reproduzir sua percepção ideológica por meio da cultura, aspirando a modificação da sociedade. Segundo Reich, em hipótese alguma seria possível dominar o atual processo cultural se não se compreendesse que a estrutura psíquica é, em seu âmago, a estrutura sexual, e que o processo cultural é primordialmente um processo de necessidade sexual. Como o cinema acompanha os acontecimentos sociais, o empoderamento feminino alcançou as telas. Sempre houve sexo em Hollywood, mas, antes de Audrey Hepburn, só as garotas más é que faziam sexo.

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(Fonte da imagem: Pinterest)
(Fonte da imagem: Pinterest)

Audrey foi uma notável atriz, modelo e bailarina de origem belga, é apontada como um ícone de elegância e beleza e, segundo o American Film Institute, o maior emblema feminino de Hollywood. Foi a terceira mulher na história do cinema, e a quinta dentre todos os artistas a conquistar as quatro principais premiações do entretenimento norte-americano. Além de seu papel como atriz e protagonista de filmes ovacionados pelo público como: Sabrina, Bonequinha de Luxo, Guerra e Paz, My Fair Lady ou Cinderela em Paris, ela também foi uma mulher que abraçou as causas humanitárias em seus últimos anos de vida.

No filme “Bonequinha de Luxo”, de Blake Edwards, de 1961, Audrey era conhecida como “bonequinha”, uma prostituta de luxo, ansiosa por ser amada, mas que carregava, dentro de si, um grande medo de amar. O filme retrata como os anos 60 foram, em grande parte, um engodo: aparentemente liberal, mas com grandes angustias, onde nem as festas e o álcool eram capazes de apagar os conflitos internos. A vida é quase sempre intragável, e a década de 60 constatou uma nova maneira de mentir sobre isso: a revolução sexual. Em Bonequinha de Luxo, não era tão ruim experimentar a luxuria. Com a personagem de Audrey, a fantasia de uma vida empoderada, excêntrica e de liberdade sexual sofisticada atraia os olhares de muitas mocinhas que seguiam o padrão feminino da musa da Givenchy.

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Um dos maiores erros que o feminismo cometeu foi ao difamar a maternidade. A segunda onda do feminismo foi agravada pela feminista Gloria Steinem, que pregou a desvalorização da mulher como esposa e mãe, e o enaltecimento da mulher profissional como aquela que é realmente livre e admirável. Esse pensamento foi resultado do Marxismo Cultural — um movimento difundido por Antonio Gramsci, Georg Lukacs, Herbert Marcuse e Escola de Frankfurt. Gramsci desenvolveu uma hipótese de que a família e a igreja davam ao proletariado uma “pseudo consciência de classes” que os tornavam resistentes as súplicas do marxismo. Portanto, uma das soluções, então, era fazer uso do discurso feminista com o objetivo de destruir a família e a moral judaico-cristã.

(Fonte da imagem: Flickr)
(Fonte da imagem: Flickr)

Apesar das inúmeras tentativas de engenharia social, muitas mulheres, ainda hoje, não abraçam a afirmativa de que a mulher só é verdadeiramente livre e feliz quando não opta pelo casamento e a maternidade. Audrey Hepburn e sua personagem em Bonequinha de Luxo eram totalmente opostas, e em meio a esses ideais ela abandonou a carreira de atriz, para ser mãe em tempo integral. Audrey nunca escondeu que o marido e os filhos eram mais valiosos que tudo – inclusive que a carreira.

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Karina Scárdua é formada em Saneamento Ambiental pelo Ifes

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(Fonte da imagem: Reprodução/YouTube)

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  • Fangtooth

    “Esse pensamento foi resultado do Marxismo Cultural…”

    Essa história começa bem antes do neomarxismo, com Charles Fourier, socialista “utópico” (segundo Marx e Engels) e próprio patriarca do feminismo. É ele quem primeiro diz que as mulheres formam uma classe oprimida pela família e pela moral cristã. Era tb antisemita, pois associava os judeus ao capitalismo, que tb recriminava. Quem levou adiante essas ideias de Fourier foi Engels, não Marx, no Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, depois que Marx já havia morrido. Ele diz que o escreveu baseado em manuscritos anteriores compartilhado com Marx, mas vai saber. Aí sim, de Engels a Gramsci, à Escola de Frankfurt e às feministas da 2a onda: Betty Friedan, Simone de Beauvoir, Shulamith Firestone, Kate Millet, Catharine MacKinnon, Germaine Greer, Linda Gordon & Cia.

  • Victória Romano

    Mas pelo que sei a Audrey se divorciou justamente porque o marido queria que ela abrisse mão da carreira pra estar em casa em tempo integral e ela não aceitou…