Política

Sobre a Monarquia no Brasil

Um pequeno pensamento sobre o movimento pró-monarquia atual.

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Tomando como “gancho” o último parágrafo do texto anterior, em que vinha advogar pela existência de um Quarto Poder com as funções hoje pertencentes aos Tribunais de Contas, Ministério Público e o atual Ministério da Fiscalização, Transparência e Controle venho trazer a Monarquia como tema para o texto de hoje, tendo em vista que durante o Império existia além dos atuais poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – um Quarto, o Poder Moderador – artigos 98 a 101 da Constituição de 1824 – privativo do Imperador que serviria como harmonizador das relações entre os poderes. Enfim, somente uma curiosidade para que se passe então ao tema.

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Obviamente é algo gerado pelo tipo de página partilhada por meus contatos no Facebook, não é algo generalizado, mas vejo uma crescente nos números dos ditos monarquistas ou dos comentários elogiosos à forma monárquica-constitucional/monárquica-parlamentar de governo, cuja superioridade é alegada usando-se como exemplos inúmeros países europeus que a adotam como Grã-Bretanha, Bélgica, Noruega e Suécia e seus índices, principalmente, de desenvolvimento humano para se apontar uma esperança de que se o Brasil a adotasse poderia estar lado a lado com estes países.

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De fato, tivemos o melhor dos monarcas, D. Pedro II, não somente um administrador responsável e competente como um entusiasta das ciências e da tecnologia. Um homem culto e internacionalmente respeitado por isso. Mas não significa que se adotássemos a Monarquia teríamos vários outros deste porte, ainda que se aponte que Reis e Imperadores são treinados desde que nascem para governarem, basta ver os inúmeros desastres ao longo da milenar história chinesa – antes de mais nada eu sei que numa monarquia constitucional ou parlamentar, o rei não possui plenos poderes e nem está livre para cometer excessos como um senhor feudal ou um senhor da guerra africano, apenas estou abordando um argumento comumente utilizado para a defesa desta.

Eu também a defenderia se hoje houvesse contexto para tal. Famílias Reais apesar de não governarem o país tem uma utilidade maior que é manter a coesão cultural deste e servir de referência para o povo. A família real – como por exemplo a Britânica – funciona como o duradouro, o histórico e perpétuo dentro de uma estrutura, e principalmente uma sociedade, que vive do efêmero, do que logo surge e logo se vai. No entanto, passados 127 anos de governos e mais governos republicanos, não há mais contexto para tal, tendo em vista que por todo este período o povo não teve qualquer contato ou imagem destes a não ser na ocasião do Plebiscito em 1993 em que obteve 13,4% dos votos.

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Portanto, encerro este breve texto com a reflexão de que apesar do peso que a figura de uma família real teria para o fortalecimento de uma identidade nacional, de valores e tradições, funcionando como modelo, apesar de toda a memória nostálgica que D. Pedro II nos traz de tempos de um Brasil que em muitos aspectos contrasta com o republicano – como por exemplo no que toca a estabilidade não somente da economia, como também da constituição e da moeda – um retorno ao monarquismo me parece pouco mais que um sonho anacrônico e descontextualizado (o que é uma pena), pois mesmo na Espanha, onde houve um retorno tardio à monarquia com a morte de Franco e o fim da ditadura por ele comandada as figuras reais sempre estiveram presentes “próximas” ao poder, ou seja, às vistas de todos, portanto, tendo um contexto para o retorno.

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(Fonte da imagem: Pink News)

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