Política

A previsibilidade da ação da Lava Jato

Para quem conhece as ferramentas certas de análise da ciência política, a ação do dia 14/09/2016 da força-tarefa da Lava Jato era previsível até demais.

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A força-tarefa da operação Lava Jato declarou hoje que Lula “era o comandante máximo do esquema investigado na Lava Jato”. Nada de novo no radar. Toda a opinião pública – excluindo a mortadelada, a Rouanetosfera e afins- já sabia disso há tempos. Quem fingia e parece continuar fingir não saber de nada, tentando posar sempre com aquela aura de imparcialidade e neutralidade que na verdade é falsa e vergonhosa[1] é a grande imprensa – ou Velha Imprensa, como a denomina o grande Alexandre Borges -, que, vale ressaltar, está de namorico com a esquerda há décadas.

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Era muito previsível que o alboroto de hoje aconteceria justamente agora, +-2 semanas após a saída definitiva de Dilma Rousseff da Presidência da República e decorridos alguns meses de governo Temer. Este que vos fala afirmava que isso transcorreria da forma como e no momento em que se deu há pelos menos 6 meses. Desde que Eduardo Cunha[2] aceitou a denúncia do impeachment, já estava marcado que o que a força-tarefa fez no corrente dia e que as declarações dadas por Deltan Dallagnol se seguiriam. Era inevitável.

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Lembro-me que quando o atualmente cassado Eduardo Cunha aceitou o pedido de impeachment eu disse que, se Dilma fosse de fato impichada, logo após isso a Lava Jato encurralaria Lula com tudo, almejando sua prisão. O golpe de misericórdia foi dado quando Moro divulgou as gravações, acontecimento que encerrou de vez a sua carreira política. Esse dia foi mais um daqueles onde disse que “eles (Sérgio Moro e a Lava-Jato) só estão esperando a Dilma sair para pegá-lo”. Repeti-a quando o Senado aceitou, por 55-22, o impeachment de Dilma, alegando – agora não mais usando o condicional “se” – que iriam para cima da viva alma mais honesta do país assim que a gerentona fosse apeada do poder.

 

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Eu não sei de nada…(Fonte: Reprodução)

Quando afirmei isso, não afirmei à toa. Havia boas razões para acreditar que a Lava Jato procederia assim. Inclusive, elas saltam aos olhos para aqueles que conhecem o instrumental básico e correto[3] da ciência política utilizado para fazer análises e previsões acertadas sobre qual será o fluxo dos acontecimentos. A coisa não tem o nome de ciência política à toa. Ou: não é mera questão de opinião, assim como a medicina e as ciências naturais não são[4].

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O fato de que a jornalista Joice Hasselmann esteve em estreito contato com a família de Sérgio Moro e, de certa forma, com ele também, deveria ser suficiente para demonstrar que o que a Lava Jato fez hoje viria a efetuar-se uma hora ou outra. Devemos lembrar também que o governo Michel Temer tirou importantes esquerdistas do aparelho de Estado que poderiam sabotar a Lava Jato – como a chamada “imprensa progressista” e agentes petistas que poderiam debilitar a operação, como o antigo Ministro da Justiça Eugênio Aragão, José Eduardo Cardozo e o ainda PGR, Rodrigo Janot. Fora isso, o timing também foi acertadíssimo e muito previsível[5], pois o foco da fúria popular estava disperso desde a saída de Dilma e a atenção e as desculpas das esquerdas estavam focadas em Eduardo Cunha(ver os artigos do [2]). Com a cassação de Cunha e a voadora de hoje contra o apedeuta, se estabelece um novo velho foco para a fúria popular: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, o que  se seguirá após a prisão do molusco pústula quanto ao foco da fúria popular é assunto para outro artigo.

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Referências:

[1] Como se se posicionar entre a verdade e o erro ou o crime e a justiça fosse algo superior ou “elevado”.

[2] Alguns links importantes sobre Eduardo Cunha:

Cunha não tem nada a ver com a oposição

Cunha afastado: acabaram as desculpas

Precisamos falar sobre Renan Calheiros

O protesto NÃO É contra a corrupção

Se você votou 13-confirma, você votou em Michel Temer

Eduardo Cunha e a narrativa desfrangalhada do PT

[3] Aula 1 do Curso Política e Cultura, do professor Olavo de Carvalho, pelo menos.

[4] E religião também não é, ao contrário do que diz o ditado popular de que “Política, Religião é questão de opinião e não se discute”.

[5] Quem acompanha a Joice Hasselmann e leu seu livro sabe que Sérgio Moro é um estrategista de primeira e um homem de enorme habilidade.

 

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(Fonte da imagem: Pink News)

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