Esquerda

O sistema penitenciário brasileiro, a criminalidade e a narrativa da esquerda – Parte 2

Na continuação das aventuras do Sr Damaceno ele se mete a falar de economia, marxismo,"neoliberalismo"/"liberalismo" e exploração e a relacionar tudo isso com a criminalidade e o sistema penitenciário.

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Na primeira parte desta análise, comentei sobre a história da carochinha contada pelo senhor Rafael Damaceno Assis em seu artigo, onde ele transforma o bandido em “vítima da sociedade” e comete outros erros patético, como um caso grave de analfabetismo funcional/confusão lingüística.

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Sigamos então para a parte 2, na qual abordarei os pontos 3,4 e 5 do texto original.

“As rebeliões, embora se constituam em levantes organizados pelos presos de forma violenta, nada mais são do que um grito de reivindicação de seus direitos e uma forma de chamar a atenção das autoridades para a situação subumana à qual eles são submetidos dentro das prisões.”

Lembram-se que eu disse que eles se tornariam classe revolucionária? Eis aí a primeira amostra disso. Marginais responsáveis pela destruição de famílias[1], da propriedade privada, de associação com o crime organizado se tornaram, primeiro, em vítimas daqueles que não lhes deram “melhores oportunidades sociais”[2]. As rebeliões, que ameaçam as vidas dos policias e agentes penitenciários, forçando-os a reagir violentamente para reprimir os bandidos rebeldes nada mais são[3], na cabeça do Sr Damaceno, do que “gritos de reivindicação[4] de seus direitos e uma forma de chamar a atenção das autoridades”. Agora todos aqueles estupradores, assassinos, ladrões, narcotraficantes,etc se tornaram anjinhos bem-intencionados “lutando por seus direitos” contra a “situação subumana à qual estão submetidos dentro das prisões”. Não é fofo? Os marginais se transformaram agora, por meio de suas rebeliões, em uma classe revolucionária lutando contra o sistema injusto ao qual estão submetidos.

É o grito dos excluídos[5]. Mas acalme-se, caro leitor, a coisa vai piorar. Prossigamos.

“Ressalte-se ainda que a Lei dos Crimes Hediondos veio a agravar ainda mais essa situação, em razão de que os vários crimes por ela elencados, como seqüestro, homicídio e assalto à mão armada, passaram a não ter mais o benefício legal da progressão de regime, fazendo com que o sentenciado cumpra a pena relativa a esses crimes integralmente em regime fechado. Assim, o desespero e a falta de perspectivas desses condenados ocasionam um sentimento de revolta ainda maior, vindo a constituir-se em mais uma causa de deflagração das insurreições nas penitenciárias.”

Mais um caso de analfabetismo funcional e um “non sequitur”. Dessa vez é com o verbo “ocasionar”. Para ele, as condições dos presídios que causam o desespero e a falta de perspectivas(um non sequitur dentro de outro. A relação causal também é inexistente. O autor a pressupõe e a dá por demonstrada. O leitor desatento cairá facilmente numa armadilha dessa) ocasionam um maior sentimento de revolta(revolta contra quem? Os policiais e os agentes penitenciários? Peço encarecidamente que o leitor vá à primeira parte e releia a parte em que falo do termo “castigo”) . Perceba novamente que o Sr Damaceno atribui uma natureza revolucionária às ações dos marginais(e, portanto, a eles também). De acordo com o Priberam, uma insurreição é:

Levantamento contra o poder estabelecido.

“No que se refere às fugas, levando-se em consideração todas as falhas existentes em nosso sistema carcerário e ainda o martírio a que os presos são submetidos dentro das prisões, não se há de exigir conduta diversa por parte dos reclusos, senão a de diuturnamente planejar uma forma de fugir desse inferno.”

A palavra que mais me chama atenção aqui é martírio. A expressão pode ser usada em sentido figurado para significar alguém que sofre maus tratos. No entanto, creio que, se analisarmos o que vimos até agora, chegaremos à conclusão de que o autor se referiu ao significado mais literal e “original” da palavra mártir:

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Pessoa que sofre tormentos ou a morte por uma idéia ou causa.

Os bandidos agora são mártires lutando por uma causa. Estão lutando contra o poder estabelecido. Sua causa é a luta contra o sistema.

Na parte do texto que comentarei a seguir,o autor falará, nas palavras dele, da “Falência da política prisional como conseqüência do modelo econômico excludente”[6].

“Podemos traçar um paralelo entre a escalada dos índices de criminalidade (e o conseqüente agravamento da crise do sistema carcerário) e o modelo econômico neoliberal adotado por nosso governo. É inegável que, pelo fato de o crime tratar-se de um fato social, o aumento da criminalidade venha a refletir diretamente a situação do quadro social no qual se encontra o país. O modelo econômico neoliberal do qual falamos constitui-se numa filosofia de abstenção do Estado nas relações econômicas e sociais. Ele nada mais é do que a repetição do liberalismo outrora existente. A essência desse pensamento, além da intervenção minimizada na economia, é a idéia de que as camadas menos favorecidas da população devem trabalhar e adequar-se ao sistema econô- mico vigente, ainda que este as trate com descaso. Trata-se de um pensamento oriundo da filosofia capitalista, elaborado para se amoldar à ideologia das classes dominantes, e que tem como principal resultado a acentuação da concentração de renda e o aumento da desigualdade social entre ricos e pobres, ficando estes últimos lançados a sua própria sorte.”

OBS: O que o autor quer dizer exatamente com neoliberal[7] eu não sei, e ,na verdade,nem ele sabe. Tal termo foi inventado pela esquerda para ser utilizado como um xingamento contra os capitalistas liberais e os conservadores. O modelo que ele chama de neoliberal é muito próximo da social-democracia. Vejam o [7].

Veremos agora a verdadeira natureza do artigo se mostrar diante de nossos olhos. Considerando que o artigo foi escrito em 2007, em pleno segundo governo Lula, falar de “modelo econômico neoliberal” é puro delírio. O Sr Damaceno deve ser um daqueles que dizem que o PT é “de direita”(ou ao menos, segundo ele, “virou de direita” e teve seus ideais deturpados quando chegou ao poder). Ele comete, na segunda frase, mais um “non sequitur”. Ele diz que o crime é um fato social e,por conta disso, o aumento da criminalidade reflete diretamente o quadro social do país. Com isso, ele tenta associar o aumento da criminalidade com o capitalismo(isso tudo na visão dele, claro).

Em seguida, ele diz que “ O modelo econômico neoliberal do qual falamos constitui-se numa filosofia de abstenção do Estado nas relações econômicas e sociais. Ele nada mais é do que a repetição do liberalismo outrora existente. A essência desse pensamento, além da intervenção minimizada na economia, é a idéia de que as camadas menos favorecidas da população devem trabalhar e adequar-se ao sistema econômico vigente, ainda que este as trate com descaso.”. Só tem um problema, meus caros: isso nada tem a ver com o modelo econômico brasileiro vigente na época(e muito menos agora).

Veja também:  Polícia Federal pede indiciamento de Trabuco na Operação Zelotes

O Brasil é um país com um setor bancário extremamente estatizado[8], ocupa posições baixíssimas nos rankings de liberdade econômica,é um país entupido de estatais e agências reguladoras, uma legislação trabalhista baseada na Carta del Lavoro de Mussolini[9], uma altíssima carga tributária e políticas protecionistas, nosso país é considerado um lugar horrível para se fazer negócios  e um lugar muito ruim para se empreender, além de uma imensidão de outras características que o jogam para bem longe do liberalismo. Na verdade, o que realmente acontece é que o Sr Damaceno não tem a menor idéia do que seja o liberalismo, pois jamais estudou o assunto. Isso pode ser facilmente constatado se o questionarmos sobre quais são os principais autores liberais e perguntamos o nome de pelo menos uma obra de cada um deles. O que ele fez foi apenas repetir os slogans ditos ad nauseam nas universidades, principalmente nas matérias dos cursos de Direito que são relacionadas à Economia. Se tem uma coisa que o Estado brasileiro não faz é abster-se nas relações econômicas e sociais. Isso para não falar das inúmeras alianças do partido então governante- o Partidos dos Trabalhadores-, com governos, grupos terroristas de esquerda, ditaduras de esquerda e islâmicas(o caso do Irã é célebre) e partidos de esquerda mundo a fora, principalmente por meio do Foro de São Paulo.

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Após isso, o autor comete o erro de falar de uma tal “filosofia capitalista”[10] e depois comete um erro que o entrega, por fim, por completo.  O Sr Damaceno, ao afirmar que a filosofia capitalista é elaborada para se amoldar à ideologia das classes dominantes, acaba fazendo uma confusão dos diabos. Na verdade aqui ele faz uma confusão dos diabos(ao menos dentro da terminologia marxista utilizada por ele). Se a filosofia capitalista é elaborada, ela é elaborada por alguém. De acordo com ele, ela é elaborada para se amoldar à ideologia das classes dominantes. Isso significa que ela não é elaborada pela classe dominante. Resta saber quem o Sr Damaceno acha que as elabora(ele é que precisa responder isso, não eu, embora eu saiba as respostas para todas essas confusões que ele aprontou ao longo do texto). Agravando ainda mais a já delicada situação do meu adversário , ele alega em seguida que um pensamento tem como principal resultado a acentuação da concentração de renda e o aumenta da desigualdade social entre ricos e pobres(um suicídio intelectual do autor que comentarei posteriormente), demonstrando um domínio porco do idioma. Na verdade o que ele quis dizer é que, para ele, é o “modelo econômico neoliberal adotado por nosso país” que traz tais resultados, não um pensamento.

Ato contínuo, prossigamos para a análise da morte intelectual do Sr Damaceno. Ao afirmar que o “modelo econômico neoliberal adotado por nosso governo”(supondo que seja o modelo e não o pensamento), que ele identifica com o liberalismo e o capitalismo[11], ele confessa outra de suas “premissas ocultas”(falei delas na parte 1), que é a teoria da exploração, identificada hoje principalmente com Karl Marx e o marxismo de forma geral[12]. Tal teoria é uma idéia de jerico sem pé na cabeça, como podemos constatar  no livro A teoria da exploração do socialismo-comunismo, de Eugen von Böhm-Bawerk e nos seguintes artigos:

A teoria marxista da exploração não faz nenhum sentido

A teoria marxista da exploração e a realidade

Por que a idéia de que o capitalista explora o trabalhador é inerentemente falsa

Capitalistas e empreendedores não exploram nenhum trabalhador

As falhas,incoerências e falácias do arcabouçou intelectual de Karl Marx

A bibliografia de referência sobre esse assunto em específico é bem extensa e creio que o que coloquei aqui é suficiente. Mesmo sendo o parágrafo inicial da parte 4 de seu artigo, é uma metralhadora de bobagens e slogans marxistas do início ao fim que já seriam suficiente para excluí-lo de qualquer debate sério a respeito do assunto. Mesmo estando ele já nessa complicadíssima situação, irei até o final de seu texto.

Nas partes seguintes, ele vai tirando conclusões das premissas por mim já refutadas e, portanto, creio que não será necessário que eu persista muito nelas para que não fique enfadonho.

Colocarei  também apenas algumas observações sobre a Suécia, Dinamarca e alguns outros países e suas respectivas legislações trabalhistas,etc:

Todos os socialistas querem ser a Dinamarca. Será mesmo?

5 exemplos de como o capitalismo está transformando os países mais pobres do mundo

Como a Suécia (ainda) se beneficia de seu passado de livre mercado

7 fatos que contradizem tudo que você acreditava sobre a Suécia

11 propostas rejeitadas pelos suíços em referendos nos últimos anos (e ainda defendidas no Brasil)

Quanto mais o capitalismo se difunde, menores são as chances de um colapso social

Finalizada esta parte da análise, vamos então para a próxima parte.

Na parte seguinte, o Sr Damaceno afirma que a “flexibilização das relações de trabalho” resultará na criação de uma grande massa de desempregados[13],  o que ocasionará em um aumento da criminalidade. Novamente, o problema é que essa afirmação é falsa pelo simples fato de que a “flexibilização das relações de trabalho” não causa desemprego. Essa é,na verdade, uma conclusão derivada da teoria da exploração do valor-trabalho, que já foi refutada. O que acontece na verdade é o contrário: quanto mais flexíveis forem as relações de trabalho, melhor tanto para o empregado quanto para o empregador[14].

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Ele prossegue com erros básicos de argumentação e lógica:

“Dentro dessa lógica, tanto a lei penal como as prisões estariam materializando a doutrina de Karl Marx, segundo a qual do sistema prisional e o modelo econômico neoliberal, não se pode vislumbrar uma expectativa de melhoria do sistema penitenciário e nem uma redução dos índices de criminalidade se não for revisto o modelo de política econômica e social atualmente implementado pelos governantes de nosso país.”

Veja também:  As alternativas "razoáveis" à PEC 241 - que não são alternativas e muito menos razoáveis

A “lógica” que ele afirma existir simplesmente não existe no mundo real. O que ele faz na verdade é precisamente o inverso do que ele alega acontecer, e mistura tudo numa espécie de falsa petição de princípio, dando por demonstrado aquilo mesmo que ele queria demonstrar.

O Sr Damaceno realiza tal performance circense da seguinte maneira:

1.Ele pega o caso do Brasil e o acusa de ser “neoliberal”(que para ele é a mesma coisa do que liberal)[15] .

2.Em seguida, ele faz uma leitura marxista de tal “fato”(o Brasil ser liberal), deduzindo que a causa do desemprego em massa é a “política neoliberal” dos governantes de nosso país.[16]

3.Desse grande número de desempregados ele afirma que aumentará a criminalidade(o que também é falso, pois o desemprego não é causa direta – como ele alega ser, ao afirmar que o quadro da criminalidade no país é reflete diretamente sua situação econômica e social- da criminalidade).

4.Daí ele tira que o Direito Penal, assim como as prisões, estaria servindo para conter os “não-adequados” ao “modelo econômico neoliberal excludente”, que virariam delinqüentes após sucumbirem às tentações do crime.

5.Com isso tudo, ele conclui que tanto a lei penal quanto as prisões estariam materializando a Doutrina de Karl Marx.

Dado que os números 1,2 e 3 já foram refutados, comentarei os pontos 4 e 5. Quanto ao ponto 4, cabem algumas observações:

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Caro leitor, não sei se percebeu mas o Sr Damaceno está dizendo que estupradores, assassinos, narcotraficantes, assaltantes,etc são apenas pessoas “não adequadas” ao “modelo neoliberal excludente” que sucumbiram às tentações do crime. Segundo ele, essas pessoas deixariam de ser criminosas caso fosse “revisto o modelo de política econômica e social atualmente implementado pelos governantes de nosso país”, como supostamente diz a doutrina de Karl Marx[17]. O sujeito ser criminoso por ter intenções vis, por ser mau, desprovido de consciência moral e etc parece simplesmente não passar pela cabeça dele ao longo de todo o artigo. São todos pobres coitados, vítimas do “sistema” que os exclui.

Entretanto, o ponto 5 é mais escandaloso ainda. Ele faz uma leitura[18] marxista da suposta (ir)realidade e conclui que a lei penal e as prisões materializam a “doutrina de Karl Marx”. Ele deduz que o que Marx está demonstrando depois de fazer uma leitura da realidade com aquilo mesmo que Karl Marx disse. É um raciocínio circular. A doutrina de Marx foi materializada porque ele interpretou tudo de acordo com a doutrina de Marx. Ele deu por demonstrado aquilo mesmo que ele queria demonstrar.

Porém, ainda há alguns problemas em toda essa confusão que o meu adversário aprontou. Tentarei esclarecê-la começando com algumas observações acerca do pensamento de Karl Marx(o marxismo como um todo é uma coisa completamente disforme e camaleônica)[19]. Primeiramente, uma observação essencial: os marginais, bandidos,drogados e os excluídos em geral são o lumpenproletariado e não são, para Karl Marx, uma classe revolucionária(como o são para o Sr Damaceno). Eles são inimigos do proletariado. Em segundo lugar, o autor diz que como está tudo inter-relacionado(e não está, como já provei no texto), não se pode vislumbrar uma redução nos índices de criminalidade se não for “revisto” o “modelo” de política econômica e social atualmente vigente. Dado que o autor usa Karl Marx para fazer a leitura econômica, eu acredito que com “revisto” ele queira dizer uma revolução socialista. Caso ele queira  de fato se referir a apenas uma modesta “revisão” do nosso modelo econômico, uma espécie de reformismo, é pior ainda. Marx chamaria isso de idealismo pequeno-burguês[20]. Não irei me alongar muito nesse ponto para não fugir do foco.

Prosseguirei então para a análise da parte final do texto.

Ele prossegue tirando conclusões da idéia de que a causa das ações criminosas dos marginais é a “exclusão social”, que ocorre também pelo “estigma” de ex-detento. Vale notar aqui que tal “estigma” não é injustificado, dado que o ex-presidiário cometeu crimes e possivelmente destruiu famílias. Ele é uma pessoa perigosa até que se prove o contrário.

“O estigma de ex-detento e seu total desamparo pelas autoridades faz com que o egresso do sistema carcerário se torne marginalizado no meio social, o que acaba levando-o de volta ao mundo do crime, por falta de melhores opções.”

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O autor afirma isso,mas ele se trai nos parágrafos seguintes ao afirmar que:

“Legalmente, o egresso tem um amplo amparo, tendo seus direitos previstos nos arts. 25, 26 e 27 da Lei de Execução Penal. Esses dispositivos prevêem orientação para sua reintegração à sociedade, assistência social para auxiliar-lhe na obtenção de emprego, bem como alojamento e alimentação em estabelecimento adequado nos primeiros dois meses de sua liberdade. A responsabilidade pela efetivação desses direitos do egresso é do Patronato Penitenciário, órgão do poder executivo estadual e integrante dos órgãos da execução penal.”

Muito mais desamparados pelas autoridades estatais, pela imprensa e pela sociedade são as vítimas dos marginais e suas famílias(das vítimas), que não recebem a farta plêiade de benefícios que os bandidos têm quando estão na cadeia ou fora dela para que se reintegrem na sociedade. Também não recebem assistência social obtida por terem sido vítimas para auxiliar-lhes na obtenção de emprego e muito menos possuem alimentação e “alojamento em estabelecimento adequado”. Se tem um grupo que é de fato desemparado pelas autoridades[21], esse grupo é o das vítimas dos criminosos e suas famílias. Para começo de conversa, tais famílias não têm acesso ao Auxílio-Reclusão, enquanto a dos marginais,sim.

Permitam-me citar aqui o trecho inicial do artigo “Primores de Ternura – 1”, já citado na primeira parte da análise:

“Leio no site da Previdência Social: “O auxílio-reclusão é um benefício devido aos dependentes do segurado recolhido à prisão, durante o período em que estiver preso sob regime fechado ou semi-aberto.” Ou seja: no Brasil você pode matar, roubar, sequestrar ou estuprar, seguro de que, se for preso, sua família não passará necessidade. O governo garante. Se, porém, como membro efetivo da maioria otária, você não faz mal a ninguém e em vez disso prefere acabar levando dois tiros na cuca, quatro no estômago ou três no peito, ou então uma facada no fígado, esticando as canelas in loco ou no hospital, aí o governo não garante mais nada: sua viúva e seus filhos podem chorar à vontade na porta do Palácio do Planalto, que o coração fraterno da República solidária não lhes concederá nem uma gota da ternura estatal que derrama generosamente sobre os bandidos.”

Veja também:  Governo francês manterá reforma trabalhista, diz ministro das Finanças

Se tem uma coisa que o Sr Damaceno não faz em seu artigo é tratar da realidade. O que ele faz é pegar alguns dados(que são bem questionáveis) sobre o sistema penitenciário brasileiro, acusar o Brasil de ser um país “com um modelo econômico liberal”, associar a criminalidade à pobreza e deduzir daí que a culpa de toda a desgraça do nosso sistema penitenciário e da criminalidade é culpa “do capitalismo” e do “modelo econômico e social excludente”.  Ele também transforma marginais rebeldes dos presídios em mártires, em revolucionários lutando por direitos contra o sistema injusto que os oprime. O autor também ignora completamente a situação das vítimas dos bandidos, ao falar que justamente os criminosos é que são os desamparados pelas autoridades, mesmo com a imensidão de benefícios que eles e suas famílias têm quando estão na cadeia ou são recém engressos do sistema carcerário. Afirmar que o Sr Rafael Damaceno de Assis é um vigarista intelectual não é nenhum exagero. Na verdade, ele é exatamente isso .

Na parte final desta série, comentarei brevemente um trecho de um texto do Dr. Luiz Flávio Gomes que recebi junto com esse no e-mail, o qual foi empregado como uma espécie de conclusão/complemento ao do Sr Damaceno. Creio que a parte 3 será bem mais curta que a 1 e a 2. Gomes tem outros textos que seriam bem mais interessantes de comentar, como este, onde ele metralha slogans e mentiras contra Donald Trump. No entanto, me restringirei ao que recebi por e-mail.

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[1] Seja pelo homicídio, pelo estupro, pelo assalto, por conta das drogas ou por qualquer outro motivo.

[2] Nota: percebe que a palavra “sociais” aqui é de uma elasticidade alucinante. Pode ir desde  a empresa que não te deu o emprego que você queria até alguma menina(ou menino) que te rejeitou e que, aparentemente, de acordo com a narrativa do autor, “empurrou” o sujeito a estuprar uma pessoa inocente. É mais um caso de analfabetismo funcional.

[3] Perceba a gravidade que é a utilização dessa expressão. O sujeito realmente parece – e, na minha opinião, não dá mesmo- não dar a mínima para os policiais e suas famílias.

[4] Exatamente como aqueles gritos das pessoas comuns que foram às ruas em 2014,2015 e 2016. Suas ações criminosas são equiparadas, portanto, a ida às ruas da população pacífica e ordeira. Sobre 2013: leiam o livro Por trás da máscara, de Flávio Morgenstern. As manifestações de 2013 não têm a mesma natureza das de 2014, 2015 e 2016.

[5] Linkei o wikipédia apenas para facilitar. O Grito dos Excluídos é um movimento organizado por entidades e pessoas ligadas principalmente à Teologia da Libertação. Para saber mais sobre ela e qual o problema dela, recomendo que vejam o Apêndice 3 do meu artigo O PT e os Papas.

[6] Vai, Michel Foucault! Sobre esse autor, além de recomendar a leitura do célebre livro Pensadores da Nova Esquerda, recomendo também a leitura do artigo Foucault sem Foucault,de Olavo de Carvalho.

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[7] O que chamam de “neoliberalismo” hoje no Brasil nada mais é do que uma versão reciclada da social-democracia. Vejam estes 2 vídeos esclarecedores do falecido prof. José Monir Nasser

Diferenças entre neoliberalismo e liberalismo

Neoliberalismo – reciclagem do socialismo

[8] Uma radiografia do crédito bancário no Brasil, de Fernando Ulrich

[9] A legislação trabalhista brasileira passa longe daquilo que propõem e sugerem os principais nomes do liberalismo, como Milton Friedman, Hayek, Mises, Henry Hazlitt, Bastiat, Sowell e outros.

http://www.mises.org.br/files/literature/PDFMono.pdf – Trabalho de Guilherme Macalossi sobre a Desregulamentação das leis trabalhistas frente aos desafios do livre Mercado.

[10] Erro que demonstra, de novo, sua incultura total sobre o assunto. Não há filosofia capitalista alguma(cite 1 expoente da tal “filosofia capitalista”). O que existe é economia capitalista(e é a única que existe, como já demonstrou Ludwig Von Mises na década de 20 do século passado). O que há é uma gradação entre o livre Mercado e os mais diversos modelos intervencionistas. Ao menos no que tange mais puramente à economia, é isso. No terreno politico a conversa é outra. Espero também que não confudam aqui o libertarianismo com a tal “filosofia capitalista”.

[11] Identificação essa que creio já ter demonstrado estar errada.

[12] Ela também foi levada para terrenos exteriores ao da economia por diversos autores marxistas. O próprio Engels a levou para o terreno da família e da oposição homem-mulher no livro “A origem da família, do Estado e da propriedade privada”, que deu as bases teóricas para o feminismo.

[13] Exatamente como diz Karl Marx.

[14] Sobre as relações de trabalho,o salário mínimo e afins, ver:

O sofrimento gerado pela imposição de um salário mínimo

FGTS, INSS e Aviso Prévio – um assalto ao trabalhador, disfarçado de direito

As distorções geradas pelos sindicatos e pela política de salário mínimo

Desemprego e política monetária, de F. Von Hayek e o trabalho citado anteriormente em [9].

[15] As 2 coisas eu demonstrei que são falsas.

[16] O que também é falso. O desemprego no Brasil é causado principalmente por conta de políticas socialistas/intervencionistas na economia.

[17] Estamos falando então de Karl Marx, não do marxismo como um todo.

[18] Ao menos na parte econômica a leitura é marxista.

[19] O autor me fez o grande serviço de se restringir exclusivamente ao pensamento de Karl Marx,o que facilitou muito.

[20] Ver o artigo O ovo do maluco, de Olavo de Carvalho.

[21] E principalmente pela imprensa e pelos intelectuais, mas isso é assunto para outro texto. Ver Bandidos e Letrados.

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(Fonte da imagem: Pink News)

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