Educação

Mas afinal, quem está por trás das ocupações das escolas?

As análises na grande imprensa insistem em afirmar que são "espontâneas" e "apartidárias". Nada mais falso.

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As invasões (que estão errônea e eufemisticamente sendo chamadas de “ocupações”) nas escolas Brasil afora são, provavelmente, o assunto político mais em foco hoje, principalmente nas redes sociais. Provavelmente a melhor análise feita até o momento sobre o assunto foi a do Spotniks (e peço que o leiam antes de lerem este).  Sou, de certa forma, um “membro” do movimento estudantil e tentarei dar a visão de alguém que está dentro da universidade e que participa e conhece, ao menos um pouco, como aquele local funciona.

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Mas afinal, o que está acontecendo?

Desde o surgimento da PEC 241 [1] e da reforma do ensino médio, foram deflagrados protestos, manifestações e, principalmente, ocupações (invasões) de escolas públicas [2]. A grande imprensa, desde o início, chamou e ainda chama as ocupações e manifestações de “independentes” e “apartidárias”. É um erro gravíssimo de análise sobre quem são, afinal de contas, os reais agentes provocadores. Para chegar a uma análise satisfatória, é preciso ter informações e certa experiência dentro do meio do movimento estudantil. Embora muitos dos que estejam tentando de fato entender o que está acontecendo tenham a primeira, são raros os que possuem a segunda (e experiência recente, pois a coisa mudou um pouco de figura nas últimas décadas).

Em qualquer escola ou prédio de universidade invadido se encontrará, “coincidentemente”, sempre as mesmas camisetas e outras evidências da presença de certos grupos políticos. Refiro-me aos “de sempre”: UJS(União da Juventude Socialista), UNE(União Nacional dos Estudantes) [3], Levante Popular da Juventude, Juntos!, UJC (União da Juventude Comunista), MST, UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas),etc. Todos os grupelhos citados são intimamente ligados a partidos como PCdoB, PT, PSOL, PSTU e similares da extrema-esquerda.  Não podemos ignorar também que Lula está apoiando as invasões nas escolas, assim como o PT e toda a esgotosfera blogosfera progressista.

(Fonte da imagem: Acervo do editor)
(Fonte da imagem: Acervo do editor)

O ápice nacional até o momento foi a morte de um estudante por outro estudante, ambos sob o efeito de drogas sintéticas [4]. Santiago Andrade  2.0, só que a justificativa da vez é a “educação” [5].

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Os verdadeiros agentes por trás das invasões

Quanto aos verdadeiros responsáveis pela baderna, é preciso colocar os pingos nos i’s e falar a verdade: os estudantes universitários [6] ligados aos movimentos estudantis de esquerda (há também alguns que não são diretamente ligados, mas que também estão envolvidos), em conluio com vários professores (e até mesmo políticos), estão agindo como agitadores. Se acham que é “teoria da conspiração”, dêem uma breve passada na página do Facebook da Voz Ativa (chapa que ficou em segundo lugar na eleição para o DCE deste ano), no da À Frente (antiga Conecta, que governou o DCE da UFES por pelo menos 2 anos) e no de alguns líderes da chapa que atualmente ocupa o DCE, a F5 – Atualiza! , que é acusada de ser de “direita” [7] por todas as outras chapas de esquerda [8]. Uso a UFES apenas como amostra, pois a situação se repete pelo Brasil inteiro.

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Saulo é um dos cabeças da F5. Uma das cabeças da F5 , Jéssica Delcarro deu uma entrevista para A Gazeta apoiando as invasões.

Há muitos estudantes universitários e professores universitários prestando assistência e incentivando as ocupações. Há boatos de que o Centro Acadêmico de Direito- o da UFES, embora não duvide de que pelo Brasil afora isso esteja se repetindo – estaria planejando prestar assessoria jurídica aos invasores.  Os militantes das universidades estão indo às escolas principalmente para recrutar e sondar novos futuros membros do movimento estudantil. Vejam também que os professores, principalmente os da área de humanas – que são protagonistas nisso tudo- também estão agindo como agitadores, incentivando os seus alunos a irem às escolas prestar auxílio e colaborar com as invasões. No IFES [9], por exemplo, professores convocaram os alunos para irem às manifestações e alguns deles estão transformando suas salas de aula em verdadeiros palanques.

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Quanto ao uso de drogas e à existência de festas regadas a muito álcool e sexo, nada disso é novidade, principalmente quando paramos para ligar os pontos. Digamos que os estudantes universitários que estão assistindo às ocupações não são conhecidos por sua temperança com drogas, álcool e festas. Não é de hoje que isso também se faz presente nas manifestações que ocorrem dentro dos próprios Campi (qualquer universitário de uma federal com dois anos de razoável vivência no Campus sabe como são as coisas). Temos apenas os “mais velhos” ensinando aos “mais novos” [10]. Somando isso ao dito no parágrafo anterior, podemos concluir que, de fato, as ocupações se tornaram verdadeiros locais de formação de militância estudantil.

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Mais tarde, a escola da foto acima teve um "aulão" sobre Guerrilha. (Fonte da imagem: Acervo do editor)
Mais tarde, a escola da foto acima teve um “aulão” sobre Guerrilha. (Fonte da imagem: Acervo do editor)

Conclusão

Todo o movimento que está acontecendo dentro das escolas não é independente e muito menos “apartidário”. Na verdade, ele é o que poderíamos chamar de suprapartidário [11], como o que ocorreu em 2013 por iniciativa do MPL – Movimento Passe Livre [12]. Há líderes, há organizadores e há pontes entre as invasões e a imprensa. Não é à toa que o prédio da Comunicação está ocupado lá na UFES e que a chapa mais votada na eleição para o DCE foi a Voz Ativa. A grande mídia [13], vale ressaltar, está majoritariamente contrária à PEC 241 e favorável às “ocupações”.


Fontes:

[1] O Projeto de Emenda Constitucional será aborda mais para frente neste mesmo artigo.
[2] Há várias universidades que também estão “ocupadas”. Na UFES, local em que estudo, vários prédios estão “ocupados”, como o ED I do CCJE, o IC 2 e outros que agora não me recordo.
[3] A UNE, desde o início do governo Temer, tem perdido muitas “verbas”(o mais correto seria chamar de tetas mesmo). Esse é apenas um dos vários motivos para que a órgão famoso por ser um mero tentáculo do PCdoB no meio da juventude participe da algazarra toda.
[4] Além de termos tal incidente envolvendo 2 estudantes que estavam sob o efeito de drogas sintéticas, temos ainda os relatos de que nas mais diversas ocupações estão ocorrendo festas regadas a muita bebida, drogas como maconha e cocaína. Como essas drogas e bebidas estão entrando nas escolas é uma questão que será esclarecida mais à frente.
[5] A última parte deste texto trará algumas recomendações bibliográficas sobre educação.
[6] O que também inclui os institutos federais, que estão tendo seus alunos secundaristas sendo usados como massa de manobra.
[7] Há até um grito de guerra das esquerdas dentro da UFES.
[8] Praticamente TODOS os membros de alta patente da F5 são de esquerda. Há nela, inclusive, líderes da Juventude PSB, PPS e outros. PSB – Partido Socialista Brasileiro. PPS – Partido Popular Socialista.
[9] O IFES estava ocupado,mas a Justiça determinou sua “desocupação”.
[10] Quem já fez curso superior, principalmente numa universidade federal, sabe o poder que os “veteranos” têm sobre os “calouros”. O poder é maior ainda quando falamos de secundaristas. O artigo “O Imbecil Juvenil” é provavelmente a melhor coisa já escrita no Brasil nas últimas décadas sobre o comportamento dos jovens.
[11]vários partidos por trás dele, no caso.
[12] Leiam o livro Por Trás da Máscara, de Flávio Morgenstern. Sem isso, será muito difícil de compreender com quem estamos realmente lidando.
[13] Não abordarei o viés e o modus operandi da grande imprensa neste artigo. Creio não ser pertinente, além de que isso o tornaria muito extenso.
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(Fonte da imagem: Alda Cavalcante)

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