Política

Lutar não é errado, mas optar pela derrota também não

O grande paradoxo da luta é que quem luta com os alvos de minha família em mente não está errado, mas exige fibra e a certeza de que são inatingíveis. Luta-se para não se deteriorar, para não deixar piorar. Luta-se sabendo da derrota, como um Gabriel García Moreno. Nem todos conseguem. Dizem-me para lutar. Lutar? Não se luta sozinho, no máximo se aconselha e se alerta, e é o que tenho feito aqui. Percam junto comigo os que querem estar certos e não têm estômago para a big politics. Já aqueles que querem lutar, não percam o alvo de vista, caso contrário vão acabar como os girondinos e whigs moderados que hoje são chamados de direita.

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Uma das coisas que mais me incomodam no plano da discussão política é o sujeito que fica preso somente ao possível no curto prazo. Não há nada mais desprezível que o curto-prazismo e o adesismo político a um mal menor porque a verdadeira virtude não é acessível. É como um doente terminal de uma doença incurável que já que sabe que vai morrer, adere ao tratamento de prolongamento da vida como o melhor mundo possível sem jamais sonhar ou desejar uma cura total.

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O curto-prazismo nos torna reféns de uma guerra política estéril, que apenas nos aprisiona num sistema insuficiente para resolver nossos problemas until the Kingdom come. Passamos assim a vender parte da justiça pelo possível, parte da virtude por vícios menos graves e erros menores. Veja, não critico quem está na política usando essa mentalidade, é o certo e está de certa forma justificado. Mas mesmo esses casos são daqueles que não perdem de memória o ideal e tentam dele se aproximar dentro do possível, como foi o caso de Gabriel Garcia Moreno. É algo de matiz diferente do que vemos em grupos como MBL, EPL e demais puxa-sacos como Ayan et caterva.

Não que eles não acertem de vez em quando, acertam sim! Kim, por exemplo, me surpreendeu na defesa da vida desde a concepção. Contudo Kim é um no cravo outro na ferradura. Ou melhor dizendo, duzentas no cravo e uma na ferradura. É um acerto em meio a um caminhão de erros modernos. Para estes a democracia liberal, o liberalismo, a soberania popular, estatal e individual, a laicidade do estado, o republicanismo, enfim; são todos fins em si mesmo.

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Com isso, cabe a eles trabalhar no praticismo político para forçar a mola do liberalismo político e da democracia liberal pra esquerda moderada o máximo possível e pelo tempo que for possível até que ela volte com toda força para a extrema-esquerda. Eu não quero um poste cinza que fica preto, quero um poste branco constantemente pintado como nos dizia um certo Gilbert.

Sim, você não entendeu errado, quase não vejo qualquer diferença por mínima que seja entre um liberal e um comunista. São todos literalmente revolucionários, modernistas. A diferença, talvez, é que os liberais ofendem menos a lei natural. – VOCÊ ESTÁ LOUCO! – alguém aperta o botão do pânico! Assim você dá munição a esquerda contra a direita, nós somos liberais, liberais conservadores, bla, bla, bla… Deveríamos nos unir!

Bem, primeiramente, nem mesmo a maioria dos liberais são adeptos do fusionismo. Segundo, o fusionismo seria entre um liberalismo-conservador e um liberalismo mais puro. Isso não envolve este que vos fala que é um “joanista” tradicionalista. Terceiro, vocês também são de esquerda.

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– Ó! UM REACIONÁRIO!

Eu bati em muito comunista e socialista achando que lutava pela virtude. Até que um dia descobri que estava apenas menos a esquerda. Hoje não tenho a democracia burguesa como um fim em si mesmo e prefiro uma democracia orgânica corporativa. Sim, este sonhador se mantém fora da luta política para sonhar com o ancién régime, com o absolutismo, com o estado confessional, com o mercantilismo e com o agrarianismo.

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Os meus parentes não são os girondinos e whigs moderados. Meus bisavós morreram em 1789, como bons servos de Luis XVI, meus avós morreram em 1830 como bons servos de Carlos X de França. Meus pais se separaram em 1822, e um se foi em 1831. Em 1889 alguns parentes muito longinquos se foram, maculados, mas admiráveis; e desde então vivo a espera apenas da providência.

O grande paradoxo da luta é que quem luta com os alvos de minha família em mente não está errado, mas essa escolha exige fibra e a certeza de que os alvos são inatingíveis. Luta-se para não se deixar deteriorar, para não se deixar piorar. Luta-se sabendo da derrota, assim como um Gabriel García Moreno. Nem todos conseguem, alguns são políticos, são líderes e nasceram para a vida política e para a big politics. Os outros são pensadores, religiosos e estudiosos, estes não nasceram para a luta, mas para serem meros visualizadores analíticos do mundo.

Já aqueles que querem lutar, que são políticos, combatentes, não percam jamais o alvo de vista, caso contrário vão acabar como os girondinos e whigs moderados que hoje são chamados de direita, presos a mola da democracia liberal que nos empurrará de volta pro caos. Assim como estes que lutam pelo que está aí, os que lutam para não deixar piorar enfrentarão a beautiful letdown da vida. Perderão, mas perderão com honra. Já os que perderam sem ter nosso alvo em vista, não perceberão sua derrota e, até mesmo julgará vitória! Não se assustem, a vida é assim.

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(Fonte da imagem: Pink News)

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