Política

Comunicação pública aparelhada

Como a EBC trabalha em prol de um país pior.

LinkedInTumblrRedditWhatsAppEmailGoogle GmailYahoo MailWordPress
O governo de Michel Temer começou da forma que todo brasileiro sonhava: eliminando, passo a passo, o Estado inundado de petistas e seus companheiros, amontoados em ministérios e empresas públicas gastando nosso dinheiro e promovendo arruaça.

Publicidade

Uma das mais significativas mudanças foi a exoneração de Ricardo Melo, presidente da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), uma daquelas repartições inúteis do Estado, elefante branco da mídia chapa branca. Para seu lugar foi nomeado o jornalista Laerte Rímoli, que atuou na Câmara dos Deputados recentemente e assessorou campanhas notórias, como as de Aécio Neves e Alckmin para presidência. E a retirada compulsória de Melo, claro, não veio acompanhada de “boas vibrações” por parte da diretoria da casa.

Mas, antes, se faz necessário uma breve explicação acerca da empresa pública citada. A EBC foi criada em 2007, por decreto de Lula, sendo basicamente uma fusão da Radiobrás e da TVE Brasil. Hoje a EBC comporta a TV Brasil, a Agência Brasil, presta serviços à secretaria de comunicação social da Presidência da República, coordenando por exemplo a NBR e a inútil A Voz do Brasil. Retornemos agora aos fatos recentes.

Na última semana – na iminência dessas mudanças, tendo em vista o caráter fraterno da EBC ao governo de Dilma Rousseff – o Conselho Curador da empresa se manifestou dizendo que Melo não poderia ser exonerado, pois o mandato é de quatro anos. Também consta na nota revoltosa: “Para preservar sua autonomia no desenvolvimento da comunicação pública, a EBC é também dotada de dispositivos legais que conferem mandato ao seu Diretor-Presidente que, uma vez nomeado, não pode ser destituído a não ser por vontade própria do mandatário ou grave desrespeito aos ditames legais que regem suas funções e responsabilidades, e só por deliberação do Conselho Curador”. Outros órgãos ligados a jornalistas também repudiaram a mudança. Além disso, o próprio Ricardo Melo afirmou que vai tomar todas medidas cabíveis para reaver seu mandato.

Estes são os fatos públicos, palpáveis e disseminados na mídia. Vamos agora nos aprofundar um pouco no imbróglio.

Para começo de conversa, Dilma nomeou Ricardo Melo como presidente da EBC nove dias antes do já consumado processo de afastamento, em atitude clara visando manter a comunicação governamental ainda aparelhada mesmo em sua ausência.

Veja também:  A democracia como novidade

A empresa teve como primeira presidente a jornalista Tereza Cruvinel, de 2007 a 2011. Sua saída ocorreu de maneira turbulenta, em rota de colisão com o temido Conselho Curador. Segundo informações da época, questões como controle de conteúdo, ideologismo explícito e proibição de veiculação de conteúdo religioso (em virtude do “Estado Laico”) foram as causas da entrega do cargo pela jornalista, ameaçada de impeachment e ofendida por um dos conselheiros da época, o ícone da esquerda acadêmica Daniel Aarão Reis Filho. Nelson Breve assumiu o posto e fazia mais o estilo da militância, estabelecendo acordos de comunicação com ditaduras como Venezuela e Cuba e com equipe de editores especialista em difamar o trabalho da polícia militar. Quando este deixou o cargo em 2015 para a entrada de Américo Martins, a ordem era tornar a EBC mais pública e menos estatal. Mas as reações foram as piores vindas do partido que comandava o Brasil, que diziam que as emissoras públicas deveriam trabalhar em prol do governo e de seu projeto de poder. Nem um ano durou sua gestão e foi substituído, nove dias antes da saída de Dilma Rousseff, enfim, por Ricardo Melo.

Ricardo Melo possui fama de ser amigável às causas do petismo no Brasil. Quando diretor de redação do SBT, impedia que os comentários ácidos contrários ao governo Dilma do jornalista José Nêumanne Pinto fossem ao ar, até a saída de Nêumanne da emissora. Na mesma equipe de Melo estava Marcelo Parada, diretor de jornalismo responsável por calar Rachel Sheherazade, impedindo a jornalista de tecer comentários políticos. Parada foi acusado de ser sócio do hoje presidente do PT Rui Falcão enquanto cuidava do jornalismo da emissora. Ele nega, apesar de trechos do livro Privataria Tucana, bíblia petista de acusação aos tucanos, diga o contrário.

Publicidade

Mas, devemos prestar atenção também no tal Conselho Curador da EBC, o mesmo que emitiu moção de repúdio contra a troca de comando. Segundo o site do conselho, ele existe para zelar pelo cumprimento das normas da EBC, e que na medida do possível representa diversos setores da sociedade civil. No papel tudo parece lindo. Vejamos mais a fundo.

Veja também:  Temer precisa ser menos Sharon e mais Netanyahu

São 23 membros que o compõem. O quadro atual de conselheiros tem algumas peculiaridades mais do que esperadas em uma estrutura aparelhada pelo esquerdismo na coisa pública.  Conheça alguns deles:

A presidente (obviamente no site usa-se presidenta), Rita Freire, é ativista feminista em diversos grupos. Ana Veloso, jornalista, não é golpista e também é entusiasta de movimentos feministas. Isaias Dias, ativista dos direitos dos deficientes físicos, candidato a deputado nas últimas eleições pelo PT – onde ainda milita – além de membro da CUT. Joel Zito Araújo, cineasta e ativista do movimento negro, é contra o governo de golpistas. Jornalista Mario Augusto Jakobskind, que em sua página pessoal apoia, entre outras causas, a cassação de Jair Bolsonaro e a demissão do juiz Sérgio Moro. Rosane Bertotti trabalha na CUT, gayzista, petista e fã de Pepe Mujica, com quem tem diversas fotos fofas. Participou recentemente de um congresso de reação ao conservadorismo na américa latina, onde seriam articuladas as lutas daqui em diante. Venício Arthur de Lima, que trabalhou junto a Lula de 2004 a 2006 e é articulista do portal Carta Maior. Aloizio Mercadante também tem sua cadeira, além dos ex-ministros de Dilma, Edinho Silva e Juca Ferreira.

Um dos membros do conselho merece um parágrafo exclusivo. É Enderson Araújo, ativista ligado a movimentos sociais, produtor de conteúdos para a TV Câmara. Em sua página no Facebook, além de revoltado com a mudança de comando na EBC, alguns quotes são necessários. São de postagens recentes em sua página pessoal.

“Nunca quis ser bandido, eu tinha as piores estrategias possiveis.. Mas se tiver que revolucionar para garantir direitos, tem um bonde que fecha comigo, a Revolta-Ira so cresce.. só cresce.”

Publicidade

“Aê Temmer, o barato agora ficou doido, não iremos deixar mexer na comunicação pública não, alimenta nosso ódio bem, mais bem mesmo.. vai sentir-se indigesto como o sequestro do embaixador.”

Cito aqui mais um exemplo da aberração que acontece dentro das paredes da EBC. Existe um conselho a parte, vinculado ao citado anteriormente, chamado de CEDRE. Trata-se do Conselho Editorial da Faixa da Diversidade Religiosa da EBC, criado para discutir as diretrizes da EBC no que tange a assuntos que envolvam religião. Para não me delongar tanto, apenas um exemplo. Na última reunião do CEDRE, realizada em abril, a representante do extinto Ministério da Cultura foi Raíssa Galvão, amiga de Jean Wyllys, que trabalha para a Mídia Ninja, além de ativista em causas esquerdistas.

Veja também:  Seria essa a "alternativa"?

Não é possível existir lisura e imparcialidade em um conselho formado não por representantes, mas sim por ativistas e militantes com causa estabelecida, que se utilizam da comunicação pública para propagação de projetos que, não tenho nenhuma dúvida acerca disso, não fazem parte das vontades da maioria do brasileiro trabalhador, aquele mesmo, classe média, que trabalha para comer e pagar impostos.

Enfim, são muitos os fatos para serem narrados em um único artigo. O trabalho de identificar o aparelhamento do Estado é infindável e cansativo, mas precisa ser feito, por muita gente, aos poucos, para que a realidade seja exposta e a sociedade possa julgar se aceita ou não os rumos do Brasil do PT. Na EBC não é diferente, como pudemos ver. Por lá já houveram denúncias graves, desde favorecimento de licitações a uma empresa ligada ao filho de Franklin Martins até casos de censura do MEC, podando partes de informativos a mando do ministério. Polêmica também na denúncia, anos atrás, de que metade do quadro de funcionários da EBC não era concursada, provavelmente a situação de toda repartição petista.

Não espero grande coisa do governo de Michel Temer, principalmente após suas últimas nomeações para secretarias inúteis. Se pelo menos tirar de nossas costas os milhares de funcionários públicos comissionados, limpando todo canto que cheire ao governo anterior já nos terá feito muito. O brasileiro não merece pagar o salário dessa gente.

Publicidade

Quanto à EBC, alguém esperava algo diferente? O órgão que nasceu para ser um veículo independente, não passa de mais um lixo institucional que poderia muito bem ser extinto, dando lugar a outro projeto, remodelado, que realmente trabalhasse em prol de toda nação. O que temos ali é um puxadinho do PT e movimentos sociais, nada além disso. E que a mudança na administração se consolide e nos traga boas notícias, apesar das baixas expectativas.

Publicidade

Veja também

(Fonte da imagem: Pink News)

Pós-verdade: a grande imprensa é a principal responsável por isso. Mas não a única

Para melhor ou para pior, dependendo do ponto de vista, o ano de 2016 ficará …