Internacional

A morte de Fidel Castro e as mortes dos mínimos escrúpulos

Ditador cubano deixa a vida para entrar no hall de monstros.

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Raúl Castro anunciou na TV estatal cubana a morte de Fidel Castro, aos 90 anos, de causas não reveladas.

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A reação pelo mundo foi imediata. Chefes de Estado, como os do México, Venezuela, Equador e Índia lamentaram profundamente a morte do ditador. No Brasil, da parte do governo, o Itamaraty emitiu nota, assinada pelo ministro José Serra dizendo que o Brasil recebeu a notícia da morte com pesar, um motivo de vergonha para nós, brasileiros, representados por admiradores do revolucionário cubano. Nem mesmo a diplomacia deveria render condolências a um criminoso que jamais pagou por suas atrocidades. Também sobrou choro de partidos e políticos.

Lula, obviamente através de assessores de imprensa formados e com mínima condição de escrita da língua, lamentou a morte de seu “irmão mais velho”, chamando o assassino de “maior de todos os latino-americanos”. Dilma, ex-presidente da república, deixou seu recado também através de assessores que ao menos falam coisa com coisa. Dilma soltou: “Fidel foi um dos mais importantes políticos contemporâneos e um visionário que acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte.” Além deles, partidos como o PT, PSOL e PC do B, que de todos foi o que mais chorou, lamentaram nas redes sociais.

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Mas não só de esquerdistas caricatos vivemos este sábado. Mesmo que em tons menos acalorados, figuras da oposição aos vermelhos não deixaram passar em branco a morte do tirano. FHC, depois de citar as nuvens carregadas do futuro governo Trump, disse estar pesaroso junto ao povo cubano. Aécio Neves chamou Fidel de “um dos grandes líderes de nosso tempo.”

Pior do que ver tucanos sobrevoando o cadáver do cubano foi, como sempre, a cobertura da mídia brasileira. Uma vergonha, um acinte, e outros adjetivos que possam expressar repúdio. Quase nenhum veículo de comunicação tratou Fidel Castro como deveria, um tirano comunista e assassino. Entre os termos usados para se referirem ao homem, estava: revolucionário, presidente, líder, chefe de Estado. Ao que parece, e como já se esperava, Fidel ainda desperta nos corações daquela juventude desequilibrada dos anos pós-64, hoje quase velhos e chefes de editorias pelo Brasil, a mesma paixão revolucionária, a ponto de deixarem de fazer uma cobertura digna sobre a morte de um dos piores seres humanos que já pisaram nesta terra. Textos românticos, cheios de palavras neutras e ternas foram a regra no sábado que sucedeu sua morte. Um portal paranaense chegou a tratar dos amores e muitas mulheres que passaram pela vida de Castro, sem nenhuma menção aos milhares que tombaram, senão por sua arma, por sua ordem.

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Algumas figuras públicas se expressaram de forma mais justa. No Brasil, o deputado federal Jair Bolsonaro deixou seu recado ressaltando o caráter vil e mortífero de Fidel. O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump também não mediu palavras ao chamar Fidel de “ditador brutal que oprimiu seu povo.” O republicano, inclusive, serviu de experiência a uma reação curiosa. O mesmo grupo progressista que, ao fim das eleições americanas chamava Trump de tirano, foi simpática, por vezes carinhosa no tratamento da morte de Fidel Castro, um fato que ressalta todo o problema de caráter dos viúvos do golpe.

A verdade é que o mundo acordou melhor neste sábado, dia 26 de novembro. Não é à toa a celebração ininterrupta de cubanos residentes nos Estados Unidos, gritando, comemorando sempre com a bandeira de Cuba em riste. Perdemos um mito do mal, representante da escória política mundial, exaltado por pessoas democráticas que se eriçam facilmente por uma tirania onde suas causas sejam atendidas.

Mas os milhares mortos pelas balas da revolução cubana não mereciam que seu algoz morresse de forma tão justa e indolor. Mas antes morto, antes tarde do que nunca.

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