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Como Trump venceu – e como a mídia perdeu isso

Donald Trump venceu a eleição presidencial de 2016 por diversas razões.

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(O texto abaixo é de autoria de Joel B. Pollak, editor-sênior do portal conservador de notícias Breitbart e traduzido do artigo original do mesmo portal. Este artigo foi compartilhado pelo presidente eleito dos Estados Unidos Donald Trump três dias antes de sua posse.)

Ele tinha um perfil de celebridade, a capacidade de financiar-se e um dom de conseguir derrubar seus adversários com um único golpe. Manteve posições céticas sobre imigração e comércio que milhões de americanos também apoiam, mas que tanto o Partido Democrata quando o Partido Republicano tinham deixado fora do debate anteriormente. Ele também trabalhou mais duro que Hillary Clinton, fazendo campanha em estados tradicionalmente democratas onde os especialistas diziam que ele não tinha chances de vencer.

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Entretanto, uma razão figura sobre todas as outras: Donald Trump venceu a nomeação de seu partido e as eleições gerais pois ele, sozinho entre os candidatos republicanos, teve a ousadia de desafiar a mídia e falar diretamente ao povo americano.

Ele não ignorou a imprensa: pelo contrário, provavelmente concedeu entrevistas demais para o seu próprio bem, e carregou jornalistas em um avião dedicado para a imprensa por meses.

O que ocorreu foi que eles o ignoraram.

Quando entrei para o grupo viajante de imprensa durante as últimas semanas de campanha, fiquei surpreso pelo pouco interesse que existia entre muitos jornalistas em cobrir o que de fato acontecia nos comícios que precisávamos trabalhar 20 horas por dia para conseguir ir. A maior parte era cordial e profissional; alguns trabalharam excepcionalmente duro. Porém, no geral, a história da eleição de 2016 já tinha há muito deixado de ser de grande interesse para eles.

Isso ocorreu porque a maioria deles já dava como certa a derrota de Trump. Para muitos, a constante série de eventos de campanha – que chegavam a ocorrer em até sete estados em um dia – foi uma assustadoramente cansativa. Acordando cedo e dormindo tarde, em cada parada, os jornalistas se reuniam com suas canetas prontas para ridicularizar o republicano.

(Fonte da imagem: Divulgação)

Para muitos no jornalismo, tudo isso era uma provação sem fundamento, alimentada apenas pela aparentemente gratificante tarefa de captar Trump durante uma gafe ou notar o mau comportamento dos presentes. Como o único representante de um portal conservador, achei divertido e, algumas vezes, chocante ver colegas de imprensa coordenarem suas respostas a um “escândalo”, como quando Trump usou a palavra “gueto”. (Por relatar as reações dos colegas, eu quase fui colocado para fora.)

As regras do grupo viajante da mídia, repetidas constantemente por conta dos recém-chegados, eram que tudo o que fosse dito ou feito dentro do grupo seria estritamente deixado sem registros. Isso permitiu aos jornalistas preservarem uma necessária privacidade. Todavia, também significava que, se alguns jornalistas decidissem juntos tratar um discurso de Trump de uma forma particular – alguma coisa que, sem dúvidas, o público tinha o direito de saber – , não haveria como reportar tais ações.

Novamente – a maioria dos jornalistas que eu conheci foram profissionais e amigáveis. No entanto, fiquei surpreso com o fato de que poucos deles foram para além da “caneta”, seguindo para a multidão. Quanto tempo foi gasto no Twitter durante os comícios de Trump ao invés de ouvirem eleitores, partidários reais de Trump de carne e osso.

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Na noite anterior à eleição, depois de um comício no Estado de New Hampshire, jornalistas de dentro e de fora do grupo dos viajantes pareciam menos interessados no fato de que Trump havia feito um apelo explícito à “classe trabalhadora” do que no de que ele teria apresentado uma carta de apoio de Bill Belichick, treinador do New England Patriots, que a mídia passou o restante da noite especulado se era verdadeira ou falsa.

Muitos jornalistas aparentemente acreditavam que era seu dever cívico proteger o público de Trump. Alguns trabalhavam para publicações como Buzzfeed e Huffington Post, que tinham claras políticas editoriais anti-Trump. Ocasionalmente, os principais relatos feitos pela grande mídia de eventos onde estive não tinham nenhuma semelhança com o que realmente havia acontecido – como quando a NBC transformou um discurso feliz em Las Vegas em dezembro de 2015 em um tipo de comício nazista em Nuremberg.

Mas mesmo isso era menos problemático do que a geral falta de curiosidade sobre o que Trump estava dizendo aos eleitores e se ele estava conseguindo alcançá-los. Jornalistas – e seus editores – estavam tão ocupados falando que se esqueceram de ouvir.

Muitos deles estão agora tentando entender como tantos dentre eles puderam ter interpretado a eleição de maneira tão desastrosa. Porém, a recente liberação do ridículo “dossiê” Trump minou ainda mais a credibilidade da mídia.

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(Fonte da imagem: Reprodução)

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