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O dia em que o HuffPost Brasil esteve certo (pelos motivos errados)

Duas translações depois da Copa do Mundo, o HuffPost Brasil, um tipo de Carta Capital da Abril pelas doses cavalares de esquerdismo, publicou um artigo em tom surpreeendentemente agressivo de crítica à iniciativa de apagar a tocha em protesto contra os Jogos Olímpicos deste ano, a serem realizados no Rio de Janeiro.

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Existe um famoso dito popular que diz algo que, cedo ou tarde, acaba sendo verdade: “O mundo dá voltas”. E, duas translações depois da Copa do Mundo, o HuffPost Brasil, um tipo de Carta Capital da Abril pelas doses cavalares de esquerdismo, publicou um artigo em tom surpreendentemente agressivo de crítica à iniciativa de apagar a tocha em protesto contra os Jogos Olímpicos deste ano, a serem realizados no Rio de Janeiro. Com o título A babaquice de apagar a Chama Olímpica, o artigo, publicado há uma semana por Luis Henrique Rolim, resume minha visão sobre tais atos. Ou melhor, resumiria.

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Digo ‘resumiria’ porque, como em todo bom portal progressista, quando não dá para cagar na entrada, dá para cagar na saída. E foi este o caso do artigo de Rolim no HuffPost. Como disse anteriormente, tendo a concordar com o posicionamento do ‘Multiespecialista nas áreas que envolvem esporte, cultura, educação e comunicação‘ (uma autodescrição quase linkediniana) quanto ao ato de apagar a tocha. O problema são os motivos que ele apresenta para justificar a ideia de que seria babaquice apagar a chama olímpica.

Em seu textão, Rolim diz (grifos meus):

O custo público da Olimpíada é inferior ao que foi desviado, por exemplo, da “nossa” Petrobras. Mais de 50% do gasto Olímpico tem origem privada e o revezamento é quase que completamente “vendido” à patrocinadores. E assim como ser sede dos Jogos Olímpicos, o revezamento não é compulsório as cidades brasileiras – se sua cidade recebe o revezamento é porque o seu prefeito eleito não vetou a sua visita.

O “problema brasileiro” nunca foi recursos e sim, a má administração deles. Então qual a “culpa das Olimpíadas” ou dos “senhores dos anéis” que os nossos governantes (com apoio popular) aceitaram sediar o evento?”

Oh, que consolo…Só poderíamos reclamar da Olimpíada se esta custasse ao contribuinte mais que os desvios da Petrobras? Ou que a maior parte dos recursos utilizados no evento (por sinal, um evento privado, assim como a Copa) fossem gastos com recursos públicos? Tudo bem que o Rolim está certo em dizer que houve apoio popular aos jogos quando fomos lançados como sede e que os prefeitos que aceitaram receber o revezamento da tocha olímpica foram eleitos pelas pessoas (hur dur), mas começa sua argumentação de uma forma nada mais nada menos que babaca.

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Mas este ponto é o ‘de menos’ do artigo. O desastre vem logo em seguida:

“Entretanto, apagar a Chama Olímpica é um tiro no pé da sua “própria causa”. Se você está engajado em mudar essa (sic) país, ser um vândalo e praticar um crime não vai melhorar o índice de desenvolvimento humano (sic) do país.

É, vivi para ver alguém em um portal progressista como o HuffPost Brasil falar sobre ‘vandalismo’ em protestos. Isso porque, nestes dois anos que separam a Copa do Mundo (vocês se lembram da galera do #NãoVaiTerCopa?) das Olimpíadas, tivemos protestos contra o aumento de tarifas de ônibus, a favor do impeachment, contra o impeachment, invasão de escolas e universidades em diversos estados. E, a exceção dos protestos a favor do impeachment, todos estes, sem exceção, descambaram em episódios de confrontos com a polícia, destruição de prédios e monumentos públicos/privados, eventuais saques a lojas e até incêndios a ônibus. E, ao longo de todo esse tempo, nunca vi a patota progressista do HuffPost ser tão enfática em condenar tais atos como se condenou a tentativa de apagar a tocha olímpica. E, caso eu pusesse incluso o período pré-Copa, entraria na conta espancamentos de policiais e, até mesmo, os miolos de um cinegrafista estourados.

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Não que Rolim não esteja certo. Mas está por uma razão completamente hipócrita.

“Além do mais, você estará dando o exemplo de que para mudar o país é necessário ser desordeiro. Engenhar uma forma de burlar o sistema de segurança do revezamento da chama é utilizar da mesma “malandragem política” usada para desviar milhões de reais da saúde, educação e segurança do país.

Vale a mesma coisa que disse a respeito do parágrafo anteriormente descrito, com o agravante de que, como um bom ‘isentão‘, Rolim mandou o senso de proporções dar uma volta com o cachorro. Mesmo considerando que a atitude de driblar a segurança do revezamento da tocha olímpica a fim de apagá-la seja uma coisa errada (e uma babaquice), há uma diferença enorme entre apagar uma tocha olímpica e desviar milhões de reais do erário, seja em aspecto de poder, seja no aspecto dos efeitos.

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Enfim, apagar a chama olímpica, agora, é uma babaquice. Pelo simples fato de que não dá mais tempo para reverter as cagadas feitas pelo poder público durante o período de preparação dos jogos (falarei sobre isso, com calma, em outra oportunidade), de igual forma que não daria tempo para o mesmo a um mês da Copa do Mundo. Quanto às razões apresentadas pelo Rolim, elas são igualmente babacas (e hipócritas), ao menos em forma.

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