Economia

Brasil pode viver “boom” econômico se reformas estruturais forem aprovadas.

O cenário econômico atual envolve o petróleo custando pouco, como na década de 60, o que poderia ser benéfico para o Brasil que ainda não é autossuficiente em petróleo, importando assim em grandes quantidades a preço baixo e se preparando para quando vier a alte do petróleo, não dependendo mais de importações e aproveitando a alta de preços para exportar. As reformas na Petrobrás poderão ser úteis para isso. Com as reformas econômicas propostas, tanto A via ortodoxa, quanto a via heterodoxa, quanto a via média, poderão dar bons reusltados a longo prazo.

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Apesar de haver um otimismo surgindo no empresariado brasileiro, ele ainda é moderado e depende da aprovação das reformas econômicas a que o governo Temer se propõe. A PEC 241 ser aprovada na Câmara é apenas o começo, porém ela por si só não basta. A reforma da previdência, cujos gastos crescem em proporção muito maior que a inflação é urgente, caso contrário a PEC torna-se automutilante. Porém, ainda são necessárias outras reformas e que, casadas com um cenário econômico que vagamente lembra o da década de 60, pode render bons ventos à economia brasileira no curto-médio prazo e no longo prazo.

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Há pelo menos dois caminhos propostos para a economia no atual cenário, e ambos, pelo menos a princípio, renderão bons frutos. A escolha do caminho deverá ser mais ideológica, o fato entretanto é que qualquer que seja o caminho, a recuperação econômica poderá render em pelo menos 5 ou 6 anos um crescimento entre 3 e 4% ao ano. Claro, essas conjecturas são feitas com base na aprovação das reformas estruturais que o governo têm que fazer e ceteris paribus até o fim de 2017.

O primeiro caminho é novo-clássico (ortodoxo), que é representado por Henrique Meirelles. Trata-se  reforma trabalhista para tornar as relações contratuais mais flexíveis e menos custosas (reduzir o Custo Brasil) e formação de grandes superávits, para com isso em pelo menos 5 anos (tempo em que poderá haver uma semi-revisão da PEC 241), mais dinheiro possa ser investido em infraestrutura, o que pode render crescimento em torno de 3% ao ano, e em 10 anos quando poderá ser sustada se os resultados forem bons, converter-se um boom econômico, com índices de crescimento na faixa dos 5% ou 6%. O caminho de Meirelles é baseado na perspectiva da oferta e no tripé macroeconômico. Outros economistas que o apoiam são Marcos Lisboa e Samuel Pessoa.

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O segundo caminho é pós-keynesiano, mas um pós-keynesianismo mais responsável fiscalmente. Trata-se da alternativa novo-desenvolvimentista que ao contrário do social-desenvolvimentismo da Unicamp, cujo maior símbolo é Guido Mantega, é fiscalmente responsável. Enquanto os adeptos do “manteguismo econômico” criticam a PEC por achar que tudo depende de gastos do governo, a alternativa encabeçada pelo ex-presidente da Associação Keynesiana Brasileira e professor da UFRJ, José Oreiro, aprova a PEC embora tenha críticas pontuais muito sensatas, como por exemplo, a proposta do crescimento demográfico acrescido à taxa de inflação. Oreiro e os adeptos do “pós-keynesianismo responsável” apontam que deve haver alguma forma de controle da taxa de câmbio para que ela oscile não em torno da “mão invisível”, mas sim da taxa de juros competitiva para a indústria brasileira.

A falta de ênfase nos gastos do governo e o apoio às medidas de austeridade levaram a equipe de Oreiro a serem chamados de “conservadores” pela esquerda econômica associada ao PT. O caminho dos pós-keynesianos, deverá levar a uma taxa de crescimento mais elevada no curto prazo (5 anos), chutando por alto uns 3,5% a 4%, contudo os resultados posteriores são incertos devido a imprevisibilidade do futuro. As reformas da previdência são bem vistas para a PEC surtir efeito, contudo, a reforma trabalhista ainda divide opiniões.

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O governo Temer em seu programa “Caminho para o Futuro” sugeriu uma via ortodoxa e com a nomeação de Meirelles confirmou-a. Mas parece-me que Temer não será tão ortodoxo quanto gostariam alguns economistas. O programa pareceu dar a entender que o PMDB não vê com tão bons olhos a independência do Banco Central, o que poderia ser entendido como se o governo desejasse uma via média entre ortodoxia e heterodoxia. Há a possibilidade de uma via média novo-keynesiana, ortodoxa o bastante para acalmar os mercados e heterodoxa o bastante para negociar com o mercado alguma heterodoxia em meios às ortodoxias mais desejadas do momento.

O cenário econômico atual envolve o petróleo custando pouco, como na década de 60, o que poderia ser benéfico para o Brasil que ainda não é autossuficiente em petróleo, importando assim em grandes quantidades a preço baixo e se preparando para quando vier a alta do barril, não dependendo mais de importações e aproveitando a alta de preços para exportar. As reformas na Petrobrás poderão ser úteis para isso. Com as reformas econômicas propostas, tanto a via ortodoxa, quanto a via heterodoxa, e mesmo a via média que se ensaia, poderão dar bons resultados a longo prazo.

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Não estou sendo otimista demais; na verdade, há quem seja mais otimista que este escriba e preveja 4% já para 2018! Mas o fato é que não é factível uma recuperação deste porte em menos de dois anos, na qual eu apostaria no máximo de 1,5% a 2%. Contudo, tudo depende das reformas e, se forem aprovadas, de uma administração pública eficiente e transparente.

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(Fonte da imagem: Reprodução)

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