Cultura

Cinco leituras recomendadas sobre política, economia e sociedade de 2016

Durante o ano de 2016, pude avançar - e muito - com minhas leituras sobre política, economia e sociedade. E cinco dessas leituras faço questão de recomendar a você, leitor.

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Uma coisa que não posso reclamar do ano de 2016 é de falta de leitura. Muito pelo contrário, neste ano, tive a oportunidade – bem aproveitada, por sinal – em avançar bastante no meu hábito de ler mais sobre política, economia e sociedade. Foram, até agora, 21 livros a respeito desses três temas, alguns interessantes, outros, nem tanto. Destes, irei escolher cinco que serão minhas recomendações para que vocês também leiam neste final de ano e, por que não, ao longo do próximo ano. Sem mais delongas, vamos aos títulos:

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1 – A Vida na Sarjeta (Theodore Dalrymple)

(Fonte da imagem: VEJA)
(Fonte da imagem: VEJA)

Uma de minhas primeiras leituras, A Vida na Sarjeta é um must read para você entender a situação atual de nossa sociedade. Seus artigos, que descrevem a realidade das periferias da Grã-Bretanha dos anos 90 e início dos 2000, possuem tiradas que poderiam, muito bem, ser aplicadas à realidade brasileira, tamanha a similaridade com o que é observado nas áreas menos favorecidas de nossas cidades.

Para Dalrymple, autor do livro, a perpetuação da pobreza nesses locais não tem que ver com causas econômicas, mas em uma série de outros fatores disfuncionais que são reforçados por uma elite intelectual que está disposta tão somente em encontrar vítimas do que de fato em enfrentar os problemas.

Uma das coisas que o autor aborda é que, diferentemente de períodos anteriores, em que as classes menos favorecidas almejavam o padrão de vida das elites, hoje ocorre justamente o contrário, em que a vida dessas classes acaba sendo glamourizada e alguns de seus hábitos acabam sendo reproduzidos por essa elite, o que, por consequência, desencoraja os primeiros a buscarem mudanças em sua vida. Em tempos de Esquenta e de gente torrando milhões para ter um show de Anitta numa festa de casamento, isso cai como luva.

Veja também:  Luz no final do túnel: para FGV, índices de confiança indicam que recessão já terminou

2 – Crash (Alexandre Versignassi)

(Fonte da imagem: Amazon)
(Fonte da imagem: Amazon)

Leitura obrigatória para quem quer começar a entender um pouco sobre economia, Crash busca explicar, de forma simples e objetiva, a história econômica do mundo, desde a Grécia Antiga até o século XXI. Seus quinze capítulos (na segunda edição, de 2015) descrevem alguns dos fenômenos financeiros que ocorreram e ocorrem ao longo dos séculos, como as bolhas econômicas do passado, a inflação, o surgimento das bolsas de valores, as quebras que abalaram a economia mundial, o funcionamento de nosso sistema financeiro, a ascensão e queda dos investidores Naji Nahas e Eike Batista, a hecatombe de 2008 e a ascensão de Warren Buffett.

Sua leitura é interessante no sentido de trazer, de uma forma mais palpável, alguns dos conceitos que, no “economês”, parecem obscuros e impossíveis de entender. Depois deste livro, o Introdução à Economia de N. Gregory Mankiw, por exemplo, não parecerá nada de outro mundo. Por sinal, vocês podem conferir minha resenha sobre o livro aqui, publicada em maio.

3 – Livre para Escolher (Milton Friedman)

(Fonte da imagem: Saraiva)
(Fonte da imagem: Saraiva)

Combinando a defesa da liberdade econômica com doses de pragmatismo, Livre para Escolher, do expoente da Escola de Chicago Milton Friedman, é outra leitura que você não deve deixar de fazer neste final de ano, ou, caso o seu tio do “pavê ou pacumê” não deixe, para o próximo ano. Ao longo de mais de 400 páginas, Friedman explica sobre a importância do livre mercado no desenvolvimento de um país, bem como o papel deletério da intervenção governamental não só na economia, mas na sociedade como um todo.

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Um ponto a favor deste livro, não visto em As Seis Lições, de Ludwig von Mises, é que ele apresenta propostas práticas de como alcançar essa maior liberdade econômica, minimizando os impactos de curto prazo em sua implementação. Uma abordagem bem interessante, sobretudo para aqueles que ainda possuem dúvidas na defesa de menos Estado.

Veja também:  Não tenho a menor pena dos reitores das universidades federais

4 – Ação Afirmativa ao Redor do Mundo (Thomas Sowell)

(Fonte da imagem: É Realizações)
(Fonte da imagem: É Realizações)

A discussão sobre cotas sociais e raciais, no Brasil, sempre levantou muitas discussões e polêmicas. Tanto os grupos favoráveis quanto os contrários à medida se digladiam em torno de pressupostos teóricos (não que estes sejam desnecessários), em vez de evidências empíricas sobre o tema. E, para preencher esta lacuna, o livro Ação Afirmativa ao Redor do Mundo: Um Estudo Empírico sobre Cotas e Grupos Preferenciais, do economista norte-americano Thomas Sowell, é bastante útil. Ele apresenta as políticas de cotas e seus respectivos resultados em cinco países: Índia, Malásia, Sri Lanka, Nigéria e EUA, países social, cultural, política e institucionalmente diferentes.

A despeito dessas diferenças, os resultados de tais medidas foram muito semelhantes, e três deles são: as cotas se estendem a mais grupos e duram mais tempo que o previsto; as vantagens aos grupos beneficiados são (bem) menores que as propaladas, e; os efeitos socioeconômicos são contraproducentes. Em maior ou menor grau, também é possível observar estes resultados acontecendo no Brasil. Para maiores detalhes, vocês podem ver minha resenha deste livro para o site, escrita em agosto, aqui.

Veja também:  Aleatórias: da vaquinha para os condenados ao "vale-porcaria" de Marta Suplicy

5 – Maquiavel Pedagogo (Pascal Bernardin)

(Fonte da imagem: Saraiva)
(Fonte da imagem: Saraiva)

Em um período que se discute o “Escola sem Partido” e a doutrinação ideológica nas escolas e universidades, Maquiavel Pedagogo, de Pascal Bernardin, é uma leitura essencial para entender que a derrocada que o sistema educacional brasileiro vive é apenas a ponta de um gigantesco iceberg que engloba os sistemas educacionais de todo o mundo. Mais ainda: a obra do autor francês apresenta que tal crise não é um acidente de percurso, mas um projeto muito bem pensado por organizações internacionais, Unesco, a OCDE, o Conselho da Europa e a Comissão de Bruxelas.

Apesar de ser um livro bastante curto (possui apenas 159 páginas), trata-se de uma leitura bastante densa, uma vez que Bernardin cita numerosos documentos dessas organizações para sustentar seu posicionamento. A ideia-chave é que apresentar que a escola atual, outrora com o papel de garantir a formação intelectual e a aprendizagem de conhecimentos elementares aos alunos, passa a ser um laboratório para uma revolução cultural e ética, a fim de mudar valores, atitudes e comportamentos das pessoas em escala mundial (lembram da ideia do “pensamento crítico”?).

Pelo fato de sua leitura ser bem densa, a resenha que fiz deste livro acabou sendo dividida em três partes (ver aquiaquiaqui).

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